
[Segunda-feira, Janeiro 31, 2005]
"Perdeu!"
Estávamos preparando o "dia bancário" de hoje, quando entra na loja um moça assustadíssima, trêmula, pedindo ajuda. A trouxemos para dentro do balcão, fizemos com que ela sentasse, dê-mo-lhes um copo d'água, e ela nos contou que não era moradora da região, tinha vindo fazer matrícula no Campus que fica na esquina da loja e que um homem havia tentado lhe roubar o carro:
- Eu estava com o carro estacionado, desligado, estava falando no celular...ele pôs a arma na minha cabeça e mandou que eu descesse.
- E você?
- Liguei o carro, engatei a ré, depois arranquei com o carro. Ele veio atrás de mim, mas o carro morreu aqui em frente, ele então foi embora.
- Foi embora?
- É. O carro morreu. Ele viu que pifou e foi embora.
- Meu Deus, menina! É seu dia de sorte...
- Tentam levar meu carro e você diz que é meu dia de sorte?!
- Minha filha, você reagiu a um assalto. Manobrou o carro com uma arma em punho bem na sua cabeça...Aquela merda era de brinquedo, de outra forma, o assaltante tinha estourado seus miolos ali mesmo.
A menina começa a chorar...Deixei ela mais nervosa.
- Bebe a água, bebe. Passou! Você está inteira, o carro está aí. O que você teve diante da situação foi privação de sentidos, mas não deixe que seu instinto fale mais alto que sua razão da próxima vez, porque vão-se os anéis e ficam os dedos.
As palavras que saltam da minha boca sem que eu perceba!
Um casal de amigos vem buscar a moça que mal se agüenta em pé de tanto nervoso e o carro fica parado na nossa porta. Ela bem tenta dar a partida antes de sair, mas o carro não pega.
O André, poderoso canivete suíço, só de ouvir o barulho de virar a chave, canta a bola de que o problema é gasolina, mas prefere não falar... Enguiçar por falta de gasolina é o fim, vamos combinar.
O dia passa. No final da tarde, a moça volta com o reboque...sentença do mecânico: gasolina! Eles vão ao posto e trazem gasolina para dar a partida. Mas, como o carro estã inclinado na calçada continua sem ligar e o mecânico já sem entender o motivo. André então resolve acabar com aquilo e ajuda a empurrar o carro para cima da calçada e assim, estando no plano, a gasolina fica no nível e o carro pegou sem problemas. Resolvido o caso.
Conclusões gerais:
1º André definitivamente é um canivete suíço. Vai ter feeling pra viver assim na casa do...
2º Essa rua está ficando cada dia mais perigosa e depois, desse episódio, qualquer rosto diferente agora, é suspeito. Que pena que o "canivete suiço" não possa resolver também os problemas de segurança da "selva de pedra".
Contado por Fê às [9:31 PM]
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[Domingo, Janeiro 30, 2005]
Nos olhos dos outros, nem sempre é refresco.
Ele estava tomando sua cervejinha habituê na porta da mercearia, esperando o delivery do almoço da família. Pára o motoboy trazendo a comida errada.
- Não, meu amigo, eu pedi arroz à piamontese. Volta com isso e traz o pedido certo.
Volta o motoboy com um embrulho de...arroz à grega: "não, meu amigo eu pedi ar-roz à pi-a-mon-te-se, pode fazer o favor de voltar com isso."
Ficamos até espantados com tanta paciência! Só pra se ter uma idéia, seu apelido na noite carioca é tumulto. Sim, tumulto. Parem em qualquer barzinho da zona sul (ou daqui mesmo) e perguntem quem é o "tumulto" a um garçom mais antigo e lhes será descrito um dos nossos cativos freqüentadores. Não é que ele seja agressivo, mas tem o pavio curto.
E volta o motoboy outra vez com uma quentinha de arroz à grega.
Ele tira o celular do bolso e liga pro restaurante, já começa perguntando a atendente se ela é analfabeta, se tem alguma dificuldade de ler ou escrever porque o pedido veio trocado três vezes.
Fiquei arrasada pela moça! Fiquei pensando nos motivos que levaram ela a mandar comida trocada. Eu sei que errar uma vez é perdoável, mas trocar 3 vezes é uma burrice inominável, mas ainda assim, fiquei ferida pela moça, nada justifica esse tratamento...É esse tipo de situação que passamos atrás do balcão.
Passado esse momento de revolta, volta o motoboy com o embrulho. Antes que ele desca da moto, o "tumulto", lhe pergunta:
- Veio minha batata frita?
O sujeito chegou a ficar gago, olhos arregalados, perdeu até a cor, coitado.
Todo mundo na porta da mercearia caiu na gargalhada...Não bastava a bronca que ele deu na atendente ainda tinha que curtir com a cara do motoqueiro?
Ah, O comércio! Ah, esses clientes!
Contado por Fê às [4:52 PM]
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[Sexta-feira, Janeiro 28, 2005]
A fila não termina
A semana foi muito corrida, começando no dia do meu aniversário, como lhes contei, de forma que não tenho tido tempo nem de observar as criaturas estranhas que caem de pára-quedas no balcão, que dirá conseguir retratá-las aqui.
Quero agradecer a todas as felicitações que recebi, acho que os comments nunca estiveram tão cheios. Li cada um e fiquei muito emocionada com as demonstrações de carinho, a começar por essa aqui.. Obrigada de coração, Nanda!
Durante o final de semana vou retribuir a cada uma das visitas...Perdoem a falta de tempo!
Mas, vamos deixar disso que isso aqui não é lugar pra "entrega do Oscar" e voltemos a vida normal (quer dizer, agora com algumas rugas a mais)...![]()
Contado por Fê às [9:25 PM]
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[Quarta-feira, Janeiro 26, 2005]
Aniversário da Dona do "Boteco"
Eu ia dizer o seguinte:
Aniversário de dona de boteco é assim: acorda às 05:00 da manhã (como sempre), levanta uma porta de ferro pesada como o quê (como sempre). Atende a fila do pão, enquanto outra fila de fornecedores a aguarda em pé ao lado do balcão: faz pedido, confere nota, larga a loja cheia sozinha e corre atrás dos cascos de refrigerante que pediram emprestado, não devolveram e o caminhão não alivia, não encontra, toma prejuízo tendo que pagar os cascos, assina cheque, atende a loja, repõe mercadoria, limpa o lamaçal que o entra e sai na chuva causa na loja e...e não tem um puto no bolso pra comemorar no final do dia.
Mas, daí me diriam:
Eu reclamo de mais, sou chata de mais, churumingo de mais. Que eu deveria era agradecer por mais um ano de vida, deveria ser grata à Deus por ter saúde, família e consiguir passar pelas atribulações da vida.
Ok. Eu conheço todo o discurso e acreditem ou não, eu tento enxergar tudo por esse prisma. Mas, nem sempre é fácil.
Porém, hoje é meu aniversário e vou lá fazer uma força descomunal para não me chatear...nem chatear as pessoas.
Enfim, só tem uma maneira de eu parecer mais serena: fechando a boca.
Por isso, PARABÉNS PARA MIM e...
Fim de post!
Contado por Fê às [10:43 AM]
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[Terça-feira, Janeiro 25, 2005]
"Macaco Só Olha o Rabo dos Outros"
- Por favor, 100g de mortadela. Mas, dispensa a 1º fatia, por gentileza. Sabe lá o que já passou em cima dela.
Sem querer trazer a brasa pra minha sardinha, mas dentro da geladeira não passa bicho nenhum e caso um dia passe, por um acaso qualquer, todos os frios ficam recobertos no plástico que vem de fábrica até não passar mais na máquina e além disso, nós os embalamos com plástico novamente para que não ressequem ou sejamos vítimas do acaso. Tentamos ter o mínimo de contato manual com o que servimos às pessoas. Mas, tudo bem, ela não tem que saber o lado de cá do balcão e portanto, dispensamos a primeira fatia.
Então, a moça resolve fazer um lanche. Despeja uma dezena de perguntas sobre os salgados: a hora de fabricação, hora de fritura, temperatura da estufa, quem nos fornece os salgados....enfim, uma hora e meia para mais R$ 1,00 de compras. Mas, tudo bem, isso faz parte do negócio.
Para escolher o suco, me faz tirar uma qualidade de cada marca da geladeira, analisa a temperatura, não gosta de nada.
Parte para os refrigerantes, abre todas as geladeiras e opta por um suco Del Vale. Pede o estojo de guardanapos, perco as contas de quantos ela tira para limpar a boca da lata: "Ah, porque eu vi na Internet..." - Tudo bem, coitada! Ela acredita em tudo que lhe dizem.
E, aí ela pega toda a dezena de guardanapos retirados do estojo, embola um a um e sem nem procurar uma lata de lixo, joga tudo pelo chão.
Eu, que nada tinha respondido de enviazado à ela, embora (vocês me conhecem) não tenha me faltado a vontade de mandá-la as favas, atravesso o balcão, me ajoelho e cato cada um dos papéis jogados no chão.
- Ah! Me desculpe, é que eu não vi lata de lixo.
- Não se preocupe, senhora, já estou habituada a receber pessoas que fazem questão de higiene apenas na sua casa.
Ela, muito atordoada com a resposta, pega o lanche, o saquinho de mortadela, se desculpa mais uma vez e senta para comer do lado de fora.
O André acha que exagerei... Mas, na hora que o sangue ferve, eu perco o tino de comerciante.
Contado por Fê às [4:20 PM]
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[Domingo, Janeiro 23, 2005]
Ele Aprontava Muito Antes do Balcão
Domingo, passada a hora do pão da manhã o movimento cai vertiginosamente na mercearia, já contei isso uma vez aqui...Enfim, o ponto se firma cumprindo horário...então que venha o inevitável!
Sobrava pão no cesto, já estava quase na hora de fechar, os "bebuns" cativos ainda na infindável saideira, quando o André resolveu dividir a sobra dos pães em saquinhos de quatro e distribuir entre eles. Não é que mal ele acabou de fazer isso, começou a entrar um cliente atrás do outro procurando pão, assim, a dois minutos de fechar?
Ele pensou em pegar os sacos todos de volta e derramar no cesto novamente,mas... desistiu! Afinal de contas, quem dá e tira, corcunda fica.
Comércio é sempre imprevisível.
E foi aí que ele lembrou de um fato que aconteceu com ele uma vez no Centro da cidade:
- Estava no ponto final do ônibus frescão, veio um mendigo e me pediu esmola. Eu estava com o dinheiro contado do ônibus na mão, peguei a moeda que estava no bolso e dei ao cara. Como eu pouco andava de frescão não sabia o preço novo da passagem. Quando o ônibus parou é que eu vi que faltava exatamente a esmola do cara para poder pegar o ônibus.
- Ué! E o que você fez, amor?
- O que eu fiz? Fui atrás do cara. Andei um monte de ruazinhas daquelas do Centro, procurando o cara no tumulto. Achei e pedi a esmola de volta, porque se não, eu ia ficar a pé.
- E o cara?
- O cara riu da minha cara e me devolveu a moeda. Fazer o quê, se eu estava pior que ele?
Bom, se ele tomasse de volta os pães, não seria nada de mais, para quem pediu de volta a esmola de um mendigo...No entanto, já era mesmo hora de fechar, baixamos as portas e os clientes é que tivessem acordado mais cedo (o que a gente não faz pra "abafar" a dor de corno! Até se faz de durona no post!)!
Não deixem de ir ao Vida S.A
Contado por Fê às [12:01 PM]
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[Sexta-feira, Janeiro 21, 2005]
Mais uma da série: No Balcão Dos Outros é Refresco
Abençoado São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro. Sol. Calor. Feriado. Loja que fecha às 14:00 horas.
Fomos tomar um chopp com os amigos do André no quiosque aqui da rua, antes de voltamos para casa. Sim, aqueles cativos bebuns que teimam em fazer a porta da mercearia de botequim (não podemos com eles, junte-mo-nos à eles, mas no balcão dos outros).
Conversa alta, riso frouxo... Uma das meninas, começa a contar que perde a noção quando esquenta a cabeça: "Nem um homem segura a minha ira" e narra um episódio da sua vida em que derrubou um portão, grávida de 7 meses para pegar uma pessoa que se escondia dela. E um que fala por cima do outro e aquela confusão de conversa de mesa de bar, o "baiano" quietinho na dele, só prestando atenção na conversa...
- E você, Baiano, não fala nada?!
Todos páram de falar para ouvir. Ora, ele estava tão quieto, pensativo, no mínimo tinha uma análise consciente do assunto...
- Eu quero dizer é que quero essa mulher pra mim...
Riso geral (inclusive dos garçons). "Vixe Maria, Baiano gosta é de uma peixeira...O neguinho gosta de apanhar!"
E quem disse que balcão não tem um "Q" de revelações?!
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Contado por Fê às [6:29 PM]
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[Quinta-feira, Janeiro 20, 2005]
Questão de Peso (Já ouvi isso em algum lugar!)
O André é assim, aquele gaiato sério que todo mundo jura de pés juntinhos que ele não tem esse senso de humor rasgado. Talvez seja por isso que ele tenha tanta graça.
Hoje de manhã, ele aprontou mais uma das suas, infelizmente eu como vocês, não tive o prazer de presenciar a história, mas morri de rir imaginando a cena e é sob essa imaginação que conto o epísódio de hoje.
Entra o cliente de todos os dias...um daqueles que o André chamou para dar o salgado no final do expediente e mordeu um a um para saber qual era o sabor. Ele pediu R$2,00 de queijo, André corta, pesa:
- R$ 2,20. Pode ser?
- Pô cara, pedi R$ 2,00 (duro como sempre!)
Ele pega uma fatia de queijo com a mão, rasga ao meio, põe de volta na balança.
- Peraí! R$ 2,10.
O cara enruga a testa.
Ele tira mais um pedaço do queijo.
- R$ 2,05...
E põe a fatia na balança... O rapaz, deixa o queixo cair...
- Ô, meu irmão! Tu tá botando a mão no meu queijo...
- Peraí! Tu não quer dois Reais certinho?! Agora taí, R$ 2,03, como não sou mesquinho como você, vou te dar aqui três centavos de cortesia. Vai querer mais alguma coisa?!
Santo Deus! Qualquer dia a gente pára irremediavelmente na falência!
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Contado por Fê às [3:59 PM]
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[Quarta-feira, Janeiro 19, 2005]
Eu contando...vocês acreditam?
Eu queria contar como aquele menino é retardado, mas é impossível fazer cara de idiota e babar pela tela, como precisaria para que entendessem, satisfatoriamente o que quero dizer. Fico pensando: será que a mãe dele não percebe que ele não tem como transitar no meio das pessoas ativas?!
Ato 1:
- Quero R$ 1,50 de pão.
Entrego os pães, ele segura o saco com a mão que está segurando a colheira do cachorro, me paga e vira pra sair.
- Olha o troco.
- Troco pra quê?
- Porque está sobrando.
- Mas eu quero pagar com esse dinheiro.
- Tudo bem. Eu recebo o seu dinheiro, mas tenho que devolver R$0,50 porque se você quer R$ 1,50 de pães e aqui tem R$2,00 tenho que te dar o troco.
Recebe o troco e fica parado.
Ato 2
- Pronto. Agora pode ir que está tudo certo.
Continua parado.
- O que é menino? Agora você pode ir, está certo: troco, pães.
Ele se exaltando:
- Que pães? Tá faltando os pães.
- Menino, acorda! Olha os pães aí na sua mão.
- Que mão?
- A mesma mão que você está segurando o cachorro.
Ele olha pra mão. Faz cara de espanto..."Ah, é!"
Ato 3
Continua parado.
-Que foi agora.
-Quero o troco de bala.
Pego as balas, mas não o dinheiro. Ele já vai saindo.
- Menino! Você não me devolveu o troco.
- Devolver o quê, tia? Eu disse que queria o troco de balas.
- Acontece que eu já tinha te despachado, entreguei o troco na tua mão, os pães e você pediu bala, agora você tem que me devolver a moeda que te dei.
- Que moeda?
- Pe-lo-a-mor-de-de-uuusss!!! Olha aqui, garoto, voce entrou com dois Reais, mas queria apenas R$ 1,50 de pão, te dei os pães, uma moeda de R$0,50 no troco. Você ao invés de vazar da minha frente, ficou com cara de paspalho e pediu balas, te dei as balas, mas acontece que também já havia lhe dado o troco, agora você, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou me devolve as balas e fica com o troco, ou recebe o troco de balas.
- Ah, tá!
Ato 4
Continua parado.
- Que foi dessa vez?
- Tá tudo certo agora?
- Você ainda não entendeu?
- Não.
- Então, confia na minha palavra: está tudo certo. Obrigada e bom dia!
Agora, se eu disser que toda vez que ele entra na loja é isso, vocês acreditam?!
E antes que me perguntem, não. Ele não é uma criança pequena. Já é quase um adolescente. Só pode mesmo ser retardado...
Contado por Fê às [4:36 PM]
Debruce Você Também:
[Terça-feira, Janeiro 18, 2005]
Fecha o nariz e toma de uma golada só!
Ela é um purgante, do tipo que ninguém agüenta. Quando entra num pé e sai noutro já causa estrago, imagina se resolve fazer um lanchinho.
- Que salgado é esse?
- Enroladinho de queijo com presunto.
- Isso é uma massaroca. Deus me livre!
- Isso é o quê?
- Pastel de forno de carne.
- Nossa! Isso é uma bomba!
E assim, foi perguntando um a um, sem que nada prestasse, até que escolheu o Kibe. Aquela voz rouca, a cara torta de nojo, ia me fazendo tremer cada músculo do corpo. Pra falar a verdade, quando a vejo subir o degrau da porta tenho vontade de dizer: "Olha só, nada aqui presta pra você. Então, faz favor? Dá meia volta e não acaba com meu dia?"
No entanto, a porta está aberta e estando aberta, mesmo quem não é bem-vindo tem que ser recebido.
- Tem molho Inglês?
- Não. Tem molho de pimenta, catchup...
- Mas tem molho Inglês pra vender...
- Mas não tem molho Inglês no serviço.
Penso: E se tivesse o molho inglês no serviço, você ia querer, molho de alcaparras suiças plantadas por virgens andinas no Himalaia. Mulher insuportável!
Abre uma lata de Chá gelado: "Esse não é como aquele outro."
Abre uma lata de refrigerante, derrama quase todo o refrigerante no balcão: "Cruzes! Isso tá quente! Por isso que o outro estava uma merda também. Não vou nem pedir desculpas porque se vocês soubessem trabalhar, a lata não estava quente e não derramava..."
Abre outra lata e bebe.
Engulo a seco. Fiquei na expectativa dela dizer que não ia pagar as duas outras latas. Isso é a cara dela. E pra isso sim, tinha já a resposta na ponta da língua. Hoje ia dar 190! Ah! Se ia.
Mas pessoa nenhuma no mundo pode ser alvo de estatística. Mesmo os mais xaropes têm seus momentos em que "um anjo diz amém".
Pede pra embrulhar mais um salgadinho (desses mesmo, os horríveis que valha-me Deus) e leva com ela as latas que não bebeu.
Eternos cinco minutos!
Não deixem de visitar VIDA S.A.
Contado por Fê às [8:22 PM]
Debruce Você Também:
[Segunda-feira, Janeiro 17, 2005]
Arrogância
Hoje entrou um carinha na loja, fardadinho da Marinha dos pés a cabeça, diga-se de passagem, farda de gala da Marinha. Mulheres normais suspiram por isso, mas eu já estava esperando pelo pior. Conheço o peito estufado de gente que acha que defeca cheiroso. Esses garotinhos então, cadetizinhos, passam o dia levando bronca dos superiores no quartel e quando saem de lá querem se sentir gente, na verdade, acho que precisam disso.
Colocou o refrigerante sobre o balcão.
- Quanto é?!
Digo o preço. Ele abre a carteira. Entrego o troco.
- Você vai beber agora ou vai levar?
- Ainda que eu leve, ou vou beber. Por acaso refrigerante se come? Não. Então vou beber ainda que leve.
Fechei a cara. Tirei ele meticulosamente de cima a baixo. Na minha cabeça, 30.000 pensamentos/minuto: "babaca! Desde que tenha pago, por mim você bebe, come ou enfia o refrigerante, como queira. Palhaço!"
Me virei, sem qualquer murmúrio, peguei uma bolsa e ia colocar o refrigerante...
- Deixa. Eu vou beber agora.
Ah! Então a maricona filha de mamãe entendeu o que eu queria dizer. Pendurei a sacola de volta e não tive a delicadeza de esperá-lo sair para me sentar.
Sabe de uma coisa? Acho que ele merecia a resposta que tinha pra dar à ele. Mas, não há de ser esse entrevero com um fedelho metido a gente que vai estragar meu dia, melhor pensar que em boca fechada não entra mosca...além do que, ele entendeu bem o meu olhar.
Contado por Fê às [4:27 PM]
Debruce Você Também:
[Sábado, Janeiro 15, 2005]
Outra vez André!
Dia quente, sol a pino, inevitavelmente os insistentes amigos fazendo a porta da mercearia de boteco. Ok! Estamos precisando fazer dinheiro mesmo, ( as férias escolares estam quebrando o orçamento): uma anistia! Libera as cadeiras. As mesas não, se ficar confortável de mais e eles abusam. Chega mais um...e outro...André lá fora servindo.
Um deles dá a partida na sessão piada:
- Estava lá o traficante, contando drogas, chega um dos seus lacaios, puxando um indivíduo pelo braço: "chefe, chefe, esse aqui estuprou a filha da D. Mariquinha." "Hummmm...Separa o cabra que eu vou "enrabar" ele! " Passa um tempo, vem o outro: "chefe, chefe, esse aqui tentou avisar a polícia do nosso esconderijo novo.." "Deixa ele aí que nós metralha ele!"
O sujeito começa a alongar de mais com os casos da piada. Estica daqui, pára e cumprimenta outro dali, o André começa a ficar aflito, primeiro porque não temos muito tempo para ouvir, toda hora entra um cliente e temos que interromper qualquer assunto para atender, segundo porque para ele, piada é assim, o cara conta rapidinho, o outro ri e pronto.
O rapaz continua: "Daí o outro foi pego em um delito pior que entregar a boca e a sentença do traficante é queimá-lo vivo, os castigos vão ficando piores conforme a denúncia dos lacaios".
E interrompe.
E interrompe.
André, já cansado da lenga-lenga, explode: "vem cá, daqui a pouco a polícia explode essa boca de fumo e tu não acabou de contar a piada!"
Pronto. Acabou a graça da piada que o cara tentava contar. Todo mundo na loja morreu de rir do final explosivo···do André.
Contado por Fê às [5:31 PM]
Debruce Você Também:
[Quinta-feira, Janeiro 13, 2005]
Tem cães que guiam os donos
Estava sozinha na loja, contando o caixa, distraída. Entra uma senhora com um Poodle no colo, o cachorrinho fica bem na altura do balcão. Ela pede pão. Eu sirvo. Viro para entregar o saco e lá está a senhora contando moedas pra pagar, bolsinha inteira de níqueis derramado sobre o balcão. O cachorrinho vomita o balcão. Ela nem se quer me lança um olhar, não pede desculpas,simplesmente arrasta as moedas pelo balcão, tirando assim da visão do vômito do animal.
Visto a luva, pego o pano, sabão, desinfetante... E, então ela se manifesta:
- Cruzes! Tem necessidade disso tudo?
Dou um suspiro, bem fundo. Não é o suficiente, tenho que esbravejar.
- Minha senhora, se a senhora está habituada a comer vômito de cachorro, me desculpa, mas eu e as outras pessoas não vemos prazer nisso. Higiene é fundamental.
Eu só tenho um comentário pra encerrar o post: PAREM O MUNDO QUE EU QUERO DESCER!
Contado por Fê às [5:42 PM]
Debruce Você Também:
[Quarta-feira, Janeiro 12, 2005]
O mundo é Gay (será?!)
Quanto mais passo meus dias no balcão, mais entendo que cabeça dos outros é terra que ninguém pisa...Cada pessoa retrata um universo infinito, jamais pode-se retratar perfis ou estatísticas quando o assunto é: pessoas.
Ontem houve um escândalo envolvendo a loja e a banca de jornal: Um homossexual conhecido na região, aposentado por doença pelo governo, tendo sua profissão, agora deu pra roubar, quer dizer, acredito que já tinha a índole antes, mas só agora começou vir à tona.
Ele tentou roubar um jornal da banca, o morador entrando na garagem, percebeu o delito e voltou para contar à dona da banca. Ele saiu da banca com o jornal dentro da camisa e entrou na loja para comprar pão. A loja cheia. De repente entra a dona da banca:
- Pode devolver meu jornal, seu ladrão.
- Eu não peguei nada.
- Pegou sim. O jornal está de baixo da sua blusa e não é a primeira vez que te pego, seu safado.
Ele sai correndo como o Laffond encarnado na pele de Vera Verão, joga o jornal em baixo do banco de cimento da frente da loja e vai com ela de volta para a banca: "vem me revistar, me revista aqui..."
O tal morador que viu ele roubar, entra na loja e pergunta onde ele jogou o jornal. Eu mostrei. Ele volta e quase esfrega-lhe o jornal na cara. A "bicha" grita, esperneia, diz que vai navalhar o homem, que depois de retrucar bons desaforos vai embora.
Volta ele para a loja aos gritos: "Quero saber quem é essa bicha enrustida que ninguém me diz quem é. Nunca mais essa criatura vai ter sossego na vida.."
- Pode baixar o tom. Isso aqui não é a casa da mãe Joana e eu não estou acostumada com gritos, faz favor.
- Eu vou retalhar a cara dessa criatura.
- Sossega. Pode abaixar o faixo que agora você vai é me ouvir.
- O cara estava coberto de razão.
- Está defendendo ele?
- Estou. Porque ele foi amigo da dona da banca e você não é amigo de ninguém.
- Que isso gato (ele me chama de gato por causa dos olhos)! Eu fiz pra brincar com ela.
- Brincadeira? Que isso? Escuta aqui uma coisa: se fosse brincadeira, você teria devolvido o jornal na hora e não escondido seu flagrante em baixo do banco.
- Que isso?
- Que isso? Eu vi. Você saiu do lado oposto que ela entrou ( a loja é dividida por um freezer horizontal da Kibon) e jogou, sem que ela visse, o jornal em baixo do banco. Fosse comigo, teria chamado a polícia, porque eu trabalho de vender, se uma pessoa entra e esconde um produto meu na blusa, eu mando explicar a brincadeira pro delegado. Apesar de que, o que você chama de brincadeira, há muito tempo chama-se roubo no Código Penal. Ele apenas defendeu a jornaleira, no que está coberto de razão. Você, uma pessoa conhecida, nunca lhe negamos um favor, vem com essa agora de roubar? Ponha a mão na sua consciência, quem nãodeveria mais ter sossego na vida é você, não o rapaz. Ladrão da pior espécie, que rouba quem lhe estende a mão.
- Eu estava brincando. Pelo Amor de Deus!
- Pelo Amor de Deus! Vai para casa e esconde essa tua cara lavada ao invés de se ofender.
- Eu errei, gato. Mas ele me ofendeu, me humilhou na frente de todo mundo...
- Meu amigo, não me leve a mal, mas desde que o mundo é mundo é assim que gente de bem trata meliante, por quê seria diferente com você? Na verdade, você deveria agradecer, porque no distrito seria bem pior e ninguém prestou queixa. Agora fica aí insulflando os outros, acabam dando parte e eu quero ver. Vou só te avisar que sou testemunha da banca, que é pra você aprender.
E agora, vai esfriar tua cabeça em casa que não tô aqui pra isso.
Pronto. Encerrado o assunto.
Contado por Fê às [5:35 PM]
Debruce Você Também:
[Terça-feira, Janeiro 11, 2005]
Mais uma de: No balcão Dos Outros é Refresco....
Domingo a noite, levamos as crianças à praia... Nossa família "bem pequena", escolhe um quiosque, chega, senta, se abanca, são sete da noite: André e eu, três filhos, a irmã dele, com o marido e mais um filho e um sobrinho. Total: 9 pessoas.
-Nove cocos, por favor.
Toma-lhe facão, furador...
As crianças: - Tio, abre o coco pra gente?
Toma-lhe de facão, 9 cocos abertos.
- Tio, tem uma colher pra emprestar? O coco tá duro, não tô conseguindo tirar com a pazinha...
- Tio, me sujei. Posso lavar a mão na sua pia?
Quero isso, quero aquilo...
O rapaz, atendendo a tudo prontamente, sem perder o humor, mas seu esgotamento era visível (principalmente pra quem tem experiência no assunto)...puxa assunto daqui, puxa assunto dali, ele nos conta que trabalha junto com o primo dele, mas há dois dias o cara não dava as caras, deixou tudo nas mãos dele em pleno final de semana com sol: "estou com as pernas que não posso pisar!"
Ai, que dó! Mas, já estava feito... O mínimo que pude fazer foi levantar acampamento com a cambada pra outro lugar... Ao menos espero que a conta tenha compensado o estresse.
Contado por Fê às [9:43 PM]
Debruce Você Também:
[Segunda-feira, Janeiro 10, 2005]
Sempre André!
Rapaz entra na loja, pega uma cerveja na geladeira, vem até o balcão, pergunta o preço.
André sentado fazendo palavras cruzadas, suspende o rosto e responde.
O rapaz: - Isso tudo? Mas, lá fora é bem mais barato.
André: - Lá fora é lá fora, o meu preço é esse, porque se fosse o mesmo preço lá de fora era cartelização.
Então tá!
Esse mês não deixem de visitar o Vida S.A.
Contado por Fê às [4:34 PM]
Debruce Você Também:
[Domingo, Janeiro 09, 2005]
Continuando...
Em resposta ao excelente resultado que obtive em minha pesquisa: uma centena de...4 comentários (obrigada, pela atenção), farei meu relato:
Sem dúvida nenhuma o grande motivo que levou o Brasil ao topo em reciclagem de alumínio é a crise financeira...Comecei a perceber que nem todo lixo se joga fora: papelão, garrafas pet e, principalmente, latinhas, podem se transformar em dinheiro.
O preço do quilo de papéis e plásticos não são atraentes, mas de latinhas sim. Seria um dinheirinho bem fácil, uma vez que as pessoas bebem e jogam no meu lixo, porém essa constatação foi tardia demais. A concorrência é cada dia mais acirrada!
As pessoas não podem mais parar na mercearia pra fazer um lanche que já aparece alguém, não se pode apoiar a lata e distrair que levam (qualquer dia irão pensar que somos nós que pagamos essas pessoas para levarem a lata cheia e obrigarem o freguês a comprar outra).
Bem, isso de roubar as latas não é regra, no geral, os catadores perguntam se podem levar, recebendo resposta negativa eles esperam até o último gole da lata que a pessoa tem na mão. Uma aflição! Ficam ali, de pé, esperando, não largam o osso, digo, a lata.
E a lata de lixo? De cinco em cinco minutos tem alguém revirando o lixo...Alguns ficam aborrecidos quando não acham nada, pensam que somos nós que escondemos o "ouro", como se desse tempo de arquitetar qualquer plano.
Para complentar a história, agora, tem um senhor, não é catador, mas está passando por um momento difícil, então vende uma lata ou outra que encontra por aí. A maior novidade? Ele se juntou para beber com os nossos cativos bebuns, quer dizer, bebe uma ou duas, depois nos pede uma bolsa de supermercados e leva todas as latas que conseguir até o momento de ir embora.
Em outras palavras, "é briga de cachorro grande", minha diversificação econômica ficou impraticável!
Contado por Fê às [4:41 PM]
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[Sábado, Janeiro 08, 2005]
Balcão em Pesquisa
"Atualmente, o Brasil é o campeão mundial em reciclagem de latas de alumínio, com um índice de 85%, entre os países em que esta atividade não é obrigatória por lei."
Fonte:www.abal.org.br (Prêmio João Vicente de Jornalismo - edição 2003)
Eis a questão: Na opinião de vocês, o Brasil é campeão em reciclagem de latas por ser ecologicamente correto? ou porque o desemprego está assombroso e catar latinhas virou alternativa de renda de muita gente boa?
Continua amanhã...(é pra encher lingüiça mesmo)
Contado por Fê às [5:08 PM]
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[Sexta-feira, Janeiro 07, 2005]
André: Pessoa Extrovertida; de idéias originais e brilhantes
Estávamos pra fechar a loja, na estufa ainda uns dois ou três salgados, passa uma garatoda em frente a loja bem na hora (garotada, aliás, que não passa um dia sem gastar na loja com um lanche, um chiclete, uma Halls - hehehe -...), o André chama:
- Ô, gordô (alguém lembra do quadro do Jô Soares?)! Vai um salgadinho, aê?!
E eles entram na loja, felizes da vida, boca livre quem não gosta?!
- É de que, Dé?!
- De quê? Peraí...
Então, ele vai retirando os salgados, usando guardanapo, mas dando uma dentada em cada uma das sobras: quanta higiene!. De boca cheia, responde:
- Esse é salsicha, esse é de queijo com presunto, esse daqui é de carne... huummm...huummm...esse de carne é bom, me dá mais um pedaço..."
Não sei se estou errada, mas o André, não é simplesmente uma personagem do cotidiano, ele é um capítulo a parte desse diário de balcão.
Passando a sacolinha: Esse mês não deixem de visitar o Vida S.A.
Contado por Fê às [9:07 PM]
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[Quinta-feira, Janeiro 06, 2005]
Quanto Mais eu Rezo...
"Atenção:
Servir bebidas alcoólicas a menores de 18 anos constitui Contravenção Penal, ficando o infrator sujeito a prisão em flagrante e processo.
Art.63 nº1 Lei de Contravenção Penal"
Esse é o aviso no quadro conforme exigências legais. Mas o que fazer se a nova onda dos adolescentes é Caninha da Roça + bala Halls?
A receita é: pegam um vidro de cachaça, diluem bala Halls, a mistura faz uma bebida coloridinha (e refrescante, conforme o cachaceiro de plantão que, claro, assinou em baixo da aventura infanto-juvenil).
Não, vender bala Halls à adolescentes não é contravenção, não me traz punição, mas dá uma dor na consciência...
E o cacheiro:
- Dé, o bom da mistura é que não deixa bafo de cachaça. Dá pra beber a garrafa toda de Caninha e ficar com gosto de bala...Toda vez que for tomar uma dose agora, vou mergulhar uma bala Halls, nunca mais vou ter bafo de R$ 0,50.
Obviamente que o pede-pede do cachaceiro desocupado vai sofrer um ágio à partir de agora: além dos R$ 0,50 da cachaça, que já lhe é peculiar, ele agora vai pedir mais R$1,00 para compor essa "alquimia".
Eu tentei achar a graça do marmanjo cachaceiro para contar à vocês, porque de fato, foi engraçada a conversa dele com os "aborrecentes" e a descrição da nova bebida que ele fez ao André. Esse era o tema, mas não consegui... Na condição de comerciante, eu tenho mais é que vender, não é minha função observar quem chupa o drops ou quem o compra com outra finalidade, no entanto, atrás do balcão, num comércio pequeno, de bairro, como é o nosso, você tem um panorama das pessoas, um envolvimento com cada criança que você vai vendo crescer, conhece-se os pais desses meninos...Mais difícil ainda é dizer que tanto faz quando se tem uma criança em desenvolvimento em casa, por tanto, vamos deixar combinado que cheirinho de bala Halls em demasia dentro de casa, também pode ser a ponta de um iceberg.
Se a mistura é boa pra ele que não passa sem uma dose, por outro lado, serve pras crianças esconderem a "arte" dos pais.
Contado por Fê às [6:01 PM]
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[Quarta-feira, Janeiro 05, 2005]
Esqueceram Dele! (?)
-Moça! Ei, moça!
-Pois não.
-A sra. conhece essa criança?
Olho. Olho: "não, nunca vi essa criança por aqui"
Era uma moça, jovem ainda e o bebê, devia ter um aninho, se tanto. Andava, mas não falava, bem tratado, rostinho assustado.
Ela contou que estava passando pela rua, um moto boy a parou perguntando se ela morava pela redondeza, ela disse que sim e ele então, contou que achou o bebê perdido pela rua, andando sozinho. Disse que havia perguntado pelas portarias dos condomínios se conheciam a criança e como ninguém sabia, pediu que ela ficasse com o menininho, pois ele não podia ficar com a "encrenca", ela então com pena, pegou o bebê e estava perguntando aos comerciantes da região se alguém lembra do seu rostinho para que ela pudesse devolvê-lo.
Mais tarde, fiquei sabendo que ela não perguntou aos comerciantes se conheciam a criança, como me disse que estava fazendo, ao menos o chaveiro e a moça da banca de jornal que são os que ficam mais próximos da loja nem sequer sabiam do caso, assim como os porteiros dos condomínios próximos também nada sabiam, ou seja, era mentira a história do moto boy. Então, Fernanda Holmes, conclui:
1- A moça era mãe adolescente e queria se livrar da criança e não tinha moto boy nenhum;
2- O Moto Boy, seqüestrou a criança e se livrou do flagrante;
3- Os dois seqüestraram a criança e estavam procurando um desavisado para acolher a criança e se lascar no lugar deles;
4-A moça achou a criança, queria ela pra si, e estava arrumando "testemunha" de que ela perguntou se alguém conhecia, como não tinha "dono" ela ficou;
5-A criança, sem noção de perigo ainda, realmente saiu de um condomínio (aqui tem muitos) sem que a mãe ou uma babá tenha visto e como porteiro é quase tudo topeira...o bichinho estava mesmo perdido e a moça encontrou seu destino;
6-A moça era assombração...Como pode só eu tê-la visto?!
E é isso, o post não tem desfecho...
Nesse mundo maluco que estamos vivendo, qualquer hipótese é viável, infelizmente, não tive mais notícias o dia inteiro...Pra falar a verdade, estou bastante encafifada com isso.
Atenção ao pedido de uma quase balsaca: Esse mês não deixem de visitar o Vida S.A.
Contado por Fê às [6:48 PM]
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[Terça-feira, Janeiro 04, 2005]
Mais uma de maluco
Imaginem o Forrest Gump na época em que esteve correndo sem parar: magro, barbudo, cabelo comprido...Somem a isso, roupas maltrapilhas, um mocassim que só tem a parte de cima, sem sola nenhuma...esse é o doido de hoje.
Criado na região, aliás, criado com o André, foi rapaz de boa família,estudou em bons colégios, dizem que conhece bem a Bíblia, toca violão que é uma beleza, ficou órfão de pai e mãe, lhe restando apenas a casa onde mora, quase em ruínas; motivo que o tirou do mundo real: drogas!
Hoje ele não usa entorpecentes, mas o cérebro afetado, já não volta ao normal. Sua droga dos dias atuais é cigarro e café.
Ele vaga dia e noite atrás de cigarros e café. Ele pode estar com cigarro aceso no dedo, mas não deixa de pedir outro e outro. As campainhas das casas vizinhas, todas foram desligadas, porque ele passa dias, noites e madrugadas tocando, perturbando os vizinhos por cigarro e café. Os parentes que sobraram foram mesmo os vizinhos que o viram crescer, do resto da família, apenas um primo, interessado apenas em ocupar a tal casa dele, assistência ele não recebe nenhuma.
Essa criatura, assim, perdida, largada no mundo é o primeiro e o último "cliente" da loja...Café, cigarro, "cendê", sempre em tom baixinho, voz sôfrega.
Como disse, pode estar com cigarro no dedo, mas não deixa de pedir...Ontem, o André estava pra fechar a loja, aparece ele:
-Dé, cendê.
-Não tenho isqueiro aqui.
-Cendê, Dé!
-Não tenho, já falei.
Então ele tira um isqueiro do bolso, entrega ao André, coloca o cigarro na boca e diz: "cendêêê..."
Realmente, ele já não sabe de onde veio, nem pra onde vai...
Atenção ao pedido de uma quase balsaca: Esse mês não deixem de visitar o Vida S.A.
Contado por Fê às [6:27 PM]
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[Segunda-feira, Janeiro 03, 2005]
Tudo Como Dantes no Castelo de Abrantes
Suspender a porta hoje de manhã, foi viver a sensação do poema de Drummond que deixei aqui em comemoração ao final do ano: tudo continua no mesmo lugar, independente de comemoração...Mudou apenas o calendário.
Abri a porta, a padaria atrasou como toda segunda-feira, as mesmas pessoas esperando sentadas no banco externo de cimento: aquele senhor que fica bravo com a demora, a senhora que defende nosso trabalho...Depois do movimento maior, esvaziar as prateleiras, limpar, repor...
O André foi ao mercado atacadista. Voltou apavorado com os preços! Barato só as sobras das ceias (pernil, peru, Tender, Chester, frutas secas;), o resto tudo mais caro do que o nosso preço de revenda, pode? Voltou sem comprar nada, deixou pra procurar preço melhor em outro lugar, amanhã.
O movimento anda fraco, hoje não foi diferente... Acho que as pessoas ainda não voltaram a vida normal e soma-se a isso, as férias escolares (nas proximidades são 6 escolas e mais a faculdade que só volta a ativa depois do carnaval). Se por um lado, isso reduz a presença dos seres alucinados que nos cercam (o que para o cotidiano é um alívio), por outro faz sobrar pães, conseqüentemente o caixa fica baixo (o que não é bom para nós)...Que bom seria se num passe de mágica tudo fosse diferente. Mas a vida é um dia depois do outro e esse foi mais outro depois de um.
Lamento se os posts de que tanto gostam estam escassos, mas dependemos não de criatividade, mas do entra-e-sai das personagens durante o trabalho e infelizmente, não há nada suficientemente surreal que mereça o privilégio de entrar no nosso balcão virtual.
Contado por Fê às [7:13 PM]
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