[Terça-feira, Novembro 30, 2004]

Assim Contou André


Trabalhando sem parar das 15:00 às 18:00, fila que não se dissolvia, cigarro a varejo no fim (não vendemos cigarros na loja)...De repente a brecha, ele corre até a banca de jornal (bem ao lado) e o pombo acerta-lhe um belo "tiro a laser" bem em sua cabeça.
Será possível que o bicho estava ali esperando por ele? Gente entrando e saindo da loja, gente circulando, pois o bicho tinha que acertar justo a sua cabeça naquele um minutinho que ele saiu? Quer dizer que estava ali, parado, como atirador de elite com o laser mirado pra ele, na expectativa daquela corridinha à banca de jornal?
Quando volta, cabeça suja, a fila refeita... Todo mundo vê o acontecido, mas quem espera? Já vão logo metralhando:
-Moço, quanto é isso?
-Moço, quero aquilo...
Mas, será possível que o povo prefere serem servidos por mãos sujas de pombo a esperarem cinco minutinhos? Não. Não sou essa
pessoa imunda:
- Um minutinho, por favor.

Contado por Fê às [10:29 AM]

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[Domingo, Novembro 28, 2004]

Minuto de Silêncio


Manhã de domingo, rapaziada chegando da noitada (leia-se, aquele maconheiro, vizinho da loja), carro estacionado na porta da mercearia, galerinha abancada no banco do lado de fora, toda a sorte de sujeira que se pode imaginar...O André passa reto, finge que não escuta quando eles começam:
-ô chefia, essa sujeirada não é nossa não (ahã! Se não fosse pra que a explicação?)
-Olha, a gente tá aqui, mas...
André abre a loja, volta com a vassoura, abre a torneira, sem mencionar palavra, aquele jato d'água que mais parece saída de um hidrante sai molhando todo mundo...correria igual eu nunca vi: vizinho entra correndo com meia perna de calça molhada, o outro garotão pula pra dentro do carro dando uma ré cinematográfica, outros tantos saem correndo...
Não sei se algum de vocês já entraram num galinheiro...Abre-se a porta, estende-se a mão, é aquela algazarra...Pois quem tem essa cena na memória, apenas transfira a situação para rapazes de no máximo 25 anos.
Tudo bem a calçada é pública, mas ficar zoando a vida de vizinho? Já não basta os outros tantos transtornos que ele nos causa?
Estou rindo até agora! Se o André tivesse batido boca, talvez, não rendesse post, mas essa foi de arrasar, disse mais que qualquer explosão!

Contado por Fê às [5:14 PM]

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[Sábado, Novembro 27, 2004]

Contagem Anti-Stress


- 12 pães, por favor.
André se vira e começa a contar os pães.
- Quanto é isso? Quanto é aquilo? A manteiga, quanto é?
André vai respondendo até que na manteiga, derrama os pães de volta ao cesto e recomeça a contar.
- Essa manteiga está vencida? Ou rançosa?
Nesse momento ele não responde nada, suspira apenas e conta até 12. Doze pães para não perder as estribeiras.
- Doze pães né, meu senhor? Prontinho!
- E a manteiga?
- Aqui não temos nem vencida, nem rançosa, desculpa não poder atendê-lo.
Cliente com cara de sem graça.
André abre a geladeira, verifica: "vencimento em 30/12"
E o cliente, cabisbaixo, certo da asneira que soltou, diz um tímido: "Tá bom. Vou levar!"

Contado por Fê às [5:40 PM]

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[Sexta-feira, Novembro 26, 2004]

Lei de Murph


Quando se amanhece o dia percebendo que o universo conspira contra você, não adianta correr, aperte os cintos: o que estiver que dar errado, dará.


bri os olhos às 05:20 da manhã, lembrando da resposta da questão da prova, que mesmo sendo a última aluna a sair de sala, simplesmente não consegui responder no dia anterior. Ora, de que me adianta, vir me assombrar agora? Só pra eu ter certeza que podia acertar e o universo não ajudou?
Fui tomar banho. Depois de molhada percebi que não havia sabonete. Sai. Molhei tudo. Voltei com o sabonete. Pisei na buchinha jogada no chão e adivinhem? O sabonete estava em baixo. Tudo bem, hora de passar o café. O gás acabou! "Porque não tenho uma cafeteira, como qualquer pessoa normal no século XXI?" Simples. Não tenho porque a minha quebrou e sempre que tenho gás não lembro que a dita máquina faz tanta falta.
Vamos embora sem café mesmo.
Embaixo da porta uma água escorrendo...Suspendo a porta: guaraná estourado. A lambança vinha lá de dentro da loja e se estendia até a sargeta. Começo a repôr as mercadorias para abrir espaço com a limpeza, começa a fila, esvazia a fila, retomo o serviço, me aparece 1, 2, 3 malucos. Não. Não esse malucos porque de perto ninguém é normal. Esses malucos que babam quando falam, se falam, maluco tarado que quer te passar a mão...Nunca vi um lugar pra concentrar tanto maluco!
Livrando-me dos malucos, retomo a limpeza, tudo suspenso, ora da água...Não tem mangueira, tem que ser de balde. Carrega balde, joga sabão, fila de novo, seca água com sabão, a loja é tomada de formigões, tudo melado, pior que estava, patinado, elamiado...Acaba cliente, hora dos vendedores...e das entregas.
Olho apelativa pro relógio: 10:30!!! O André chega, agora não tem que lavar só o guaraná, tem que ser a loja toda...Desliga as geladeiras, o fatiador, entra uma dona querendo Mussarela: "Sinto muito, senhora!"


Penso: As pessoas riem disso. Porque será que eu não enxergo a graça. Devo ter algum problema. Ou o problema são eles?


Contado por Fê às [5:07 PM]

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[Quinta-feira, Novembro 25, 2004]

Flashback


O Casal Que Não Engravida


Tem cada criatura estranha! Um casal, quer por que quer um filho e pra isso, fizeram vááários tratamentos: um deles aquele que tem hora pro sexo. Aquele do período fértil controlado pela temparatura da vagina, sabem? Pois é. Vocês acreditam que o cara estava bem tomando uma cervejinha com os amigos e de repente olhou para o relógio, levantou, saiu "ventado" e dizendo o que tinha que fazer em casa com a esposa. PELAMORDEDEUS! É o cúmulo! Como é que o "negócio" sai? Eu não consigo isso.
Agora o pior é sair falando o que vai fazer...Sem comentários!
Aliás, fiz um comentário: "meu bem, nesta anciedade a mona não engravida nem que a vaca tussa!"
Detalhe: Nenhum dos dois tem problemas de fertilidade. Tudo ansiedade mesmo.

Contado por Fê às [5:00 PM]

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[Quarta-feira, Novembro 24, 2004]

O Gordo Contra-Ataca


O André estava tomando seu café da manhã. O gordo entra na loja. Lembram do gordo? Pois é, aquele mesmo, que adora ovos recheados. O André interrompe o café pra atendê-lo.
Como sempre, ele faz o pedido, mas fica babando na estufa de salgados. Ao mesmo tempo que fala contigo, olha de rabo-de-olho pra estufa e vai denunciando sua gula com sonoros "huummm". Acho que a maior vontade dele é atacar a vitrine com tudo, sem dispensar vidro e motor.
O André entrega-lhe o pedido e seguindo mais uma vez sua rotina, ele não vai logo embora, continua seus sonoros "hummm" pra estufa. O André não espera que ele saia, até porque sabe que não há de acontecer logo, senta e pega novamente o café da manhã. O gordo quase tem um troço:
- Quê isso que você tá comendo?
- É meu café da manhã...
- Eu sei. Eu sei. Mas, o que é o seu café da manhã? Uma fala meio gaguejada, meio babada, apontando com o braço bem esticado, quase passando por cima do balcão.
O André larga o sanduíche, diz a ele o que é e não come mais.
Quando entro na loja, pergunto o que é aquele sanduíche quase inteiro e o café já frio no copo. Ele me olha e diz: "O gordo esteve aqui".
- Ah! Sim! Nem precisa explicar mais nada...Deu azia, né?


Acredito que não consiga de fato descrever o que é esse senhor... Quando digo uma fala gaguejada e úmida não é menos que isso. Dá repulsa! Comer qualquer coisa durante e após a chegada dele é impossível. O homem fica enlouquecido quando vê comida, ele saliva, ele quer atacar...ele come de boca aberta, ele tem as pernas tomadas de umas feridas avermelhadas por falta de circulação, ele mal consegue suspender os pés pra entrar no degrauzinho da porta da loja e ainda assim quer comer.
Ele é o retrato do pecado capital da gula e nunca imaginei haver uma pessoa assim...


Contado por Fê às [4:28 PM]

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[Segunda-feira, Novembro 22, 2004]

Tem gente que se acha...


Aquela mulher é pior que purgante. Nunca conheci igual. Só o rosto dela denuncia...aquela cara de entojo, a boca torta, a voz rouca...Mal posso escutar o toc-toc do seu sapato, que começo a prever o pior. Hoje não seria diferente.
Chegaram duas caixas de pães, o cesto já estava vazio, derramei uma das caixas e deixei a outra aguardando. Nessa caixa que
derramei no cesto, os pães estavam morenos e o senhor que estava a sua frente, prefere pães bem claros, então fui até a outra caixa pra ver se havia como atendê-lo. Na vez dela, tirei o pão do cesto e começou...
- O outro pão não é mais fresco?
- Não. Chegaram juntos.
- Por que pra ele foi da caixa e o meu é do cesto?
- Porque aquele senhor prefere pães claros e aqui só tinha morenos.
- Tem peito de peru? Quero 200g.
Esse peito de peru não está ressecado, não? Quero o da peça nova.
- A peça está na metade, não há nada ressecado aqui.
- Você quer me empurrar troço estragado...Não gosto de comer casca...
- OLHA AQUI, DONA. Desde que estamos na loja, quando foi que a sra. comprou troço estragado aqui? Eu não estou aqui brincando. Não vendo pros outros o que não compraria pra mim, o PEITO DE PERU ESTÁ ÓTIMO, não vou abrir outra peça porque você quer. Vai levar ou não?!


Pensam que me livrei dela? Não. Por conta da minha resposta enviezada, ela saiu espraguejando e voltou 5 minutos depois, dizendo que esqueceu de levar leite. Encontrou fila. Queria furar. Como lhe é peculiar.
- Meu bem, meu bem. Esqueci o leite, pode colocar num saquinho, por favor?
- Não posso querida. Se não estivesse sido prepotente e arrogante, talvez não tivesse esquecido nada. Essas pessoas também cumprem horário e aguardaram sua vez, você que aguarde a sua agora.


E a mulher lá bufando...Acho que ela queria me esganar e eu a ela. Ai, como eu queria!!!

Contado por Fê às [6:14 PM]

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[Domingo, Novembro 21, 2004]

Souberam, não? A Xuxa morreu!!!


Os assassinos?! Falem baixo: fomos nós.
Domingo é sempre assim, passada a hora do pão (por volta das 10:30) o movimento cai (com o sol a pino, não, mas nesse tempo meio barro, meio tijolo...), ficamos praticamente cumprindo horário e essa é a hora da diversão.
Estávamos sentados no banco do lado de fora e vimos a fofoqueira passeando com o cachorro, orelha em pé pra escutar o assunto:
André interrompe a fala e diz: "Foi mesmo?!"
Eu (sem saber de nada, mas intuindo): "Foi"
André: "Acidente de carro na Dutra?"
Eu: "Pois é. Ouvi no rádio"
E a mulher não agüenta..."que foi? Morreu alguém?"
André: "Morreu...a Xuxa, coitada! Uma filha pequena! Morreu num acidente de carro na Dutra!"
A mulher: "Meu Deus!!! Verdade?"
André: "Verdade, ela escutou agora no rádio!" (apontando pra mim).
A mulher vai embora penalizada, querendo ligar a TV pra saber da notícia...Eu, já roxa com vontade de rir, denunciar a farsa...Mas, pra quê? Ela vai adorar espalhar o boato. Só não pensei que seria tão rápido.
Meia hora depois, entra uma senhora, pede presunto, pede Mussarela e manda...
- Vocês souberam da notícia?
- Não. Que notícia?
- A Xuxa morreu! Pior que ligamos a TV e não noticiaram nada...Vai ver, vão fazer igual como foi com o Ayrton, ele já saiu morto e ficaram enrolando pra dar a notícia.
- Pois é, minha senhora, não se pode acreditar em tudo o que diz a imprensa...
- Nem o que se ouve na esquina a boca pequena, diz o André.


Assim correm os boatos...Assim trabalham os fofoqueiros de plantão. Acabamos recebendo a notícia que nós mesmos plantamos
Nem preciso dizer que serão semanas de riso frouxo, né não?
E, se por acaso, circular na Internet a morte da Xuxa, como fizeram com Felipe Dylon, saibam que esse é um boato apenas para atrás do balcão.


RESSALVA: Não vou a faculdade aprender essas coisas, não heim, gente...Isso é coisa do gaiateiro e sensacionalista do meu marido! Agora, cá entre nós, pode até não ser certo, mas que funciona, funciona e é divertido de mais!

Contado por Fê às [11:19 AM]

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[Sábado, Novembro 20, 2004]

Antes "dura", que mal acompanhada


A maior novidade do momento é o cliente que vem fumar seu cigarrinho dentro da mercearia. É inacreditável que as pessoas ainda não tenham se situado a não fumar em elevadores, no interior de lojas, etc etc...mas, acontece, como acontece.
Fumantes geralmente tem o hábito de acordar, tomar seu cafezinho e acender um cigarro pra pensar na vida, não é mesmo? Pois esse, vem fazer sua reflexão dentro da loja. Ele acende o cigarro na soleira da porta, entra e não faz qualquer pedido, corre as prateleiras (deve conhecer tudo de cór, porque os produtos não variam muito de um dia a outro), de ponta a ponta, ajeita os produtos, olha, olha...só depois vem pedir qualquer coisa.
O incrível é que ele chega na hora da fila do pão, isso acontece mais ou menos às 08:00. Acredito que é a hora padrão das pessoas pegarem no trabalho e por isso enche mais a loja nesse horário. Na fila é um tal de "atchim", "cof-cof"...A loja não tem muita circulação, então já deu pra imaginar.
Hoje, acordei atacada da bronquite pra piorar, ainda a 6ª crise que contei no post de 17/11, não agüentei aquilo, quando ele encostou no balcão pra fazer o seu pedido...
- Tenho maior prazer em atendê-lo, mas vou fazer um pedido: não fuma aqui dentro, não. Todo santo dia o sr acende o cigarro aqui na porta, mas isso já está encomodando as pessoas, se o sr. não se importar...
- Eu me importo! Sou fumante, tenho necessidade de fumar...Não precisa servir mais nada, não quero mais nada...Mal educada!!!
- Mal educada, eu?


Negócio é o seguinte: se eu tivesse o vício de beber? O detrito do meu vício seria o xixi, imagina se eu saísse por aí, obrigando as pessoas a partilhar comigo o detrito do meu vício. Pior ainda, imagina se jogasse o meu detrito dentro das narinas das pessoas? Seria certo? Então, não leva mal não, fiz como opção de vida não fumar, não dar "tapa", não cheirar... quer largar futum? Largue na sua casa, não na minha.
E quer saber? Será até um prazer não recebê-lo mais e ser obrigada a partilhar mais esse "baseado".


Contado por Fê às [2:41 PM]

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[Sexta-feira, Novembro 19, 2004]

Mais Um Flashback


Bem A Tempo


Minha irmã ficou tomando conta da loja. Deixei o cheque assinado para receber a Coca-Cola, mas esqueci de avisar-lhe que ia chegar o tal carregamento; eis, que o caminhão pára e ela sem saber de nada, arregala os olhos frente ao valor da nota e pergunta assustada ao entregador:
-"Tem que pagar isso agora, moço?"
E frente a afirmativa do rapaz, ela começa a juntar todo o dinheiro do caixa, notas e moedas...O balcão tomado de montinhos de dinheiro trocado e o rapaz, esperando ela terminar aquela contabilidade infinita. Quando ela estava pondo tudo em saquinhos para entregar ao homem, chega o André e por trás dela, de braços cruzados e testa enrugada, questiona:
-"what's poha is that?!"
E, ela, com a maior naturalidade:
-"Ué, estou pagando a nota que chegou!"


Gente, se ela raspa todo o caixa para pagar uma nota que ganho 11 dias sem juros no cheque, na atual conjuntura dos fatos, eu morro roxinha de ódio. O cara do caminhão ficou bem calado, mesmo a vendo soterrada em notas de R$1,00 e moedas, pois se ele recebe aquilo tudinho a vista...ponto pra ele junto a empresa.
Acho que preciso treinar melhor minha substituta!!!

Contado por Fê às [7:09 PM]

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[Quarta-feira, Novembro 17, 2004]

Sim, apaguei sem querer esse post e agora reescrevi...Desculpem se ficou diferente.


"Vamos Tesouro..."


Situando: Ao lado da mercearia há uma vila. Um portão com corredor comprido que chega a quatro casas: 2 em cima, 2 embaixo.


A Vizinhança:
- Uma é fofoqueira que só, adora uma birita e quando bebe, ouve música sertaneja no último volume, ninguém pode ouvir uma TV.
- A outra, não fede nem cheira, mas também adora espalhar um boato.
- A terceira, vive com dois filhos: o rapaz, fuma maconha (além de fazer a chamada "boca do asfalto), impregna todo o quintal, inclusive a mercearia com aquele cheiro insuportável. A mãe finge que não sabe, ele finge que não faz. Nada contra quem fume, quem cheire, quem se venda...desde que isso não encomode aos outros, o que é bem o caso.
- Por último a vizinha nova: 13 gatos, 5 cães e uma tendinite que a impede de lavar o quintal (área comum a todos).


A História:
A senhora que mora de fundos com a moça dos gatos, pegou a loja vazia de manhã e veio me perguntar qual era a atividade da nova moradora, porque durante o dia era silêncio absoluto, mas durante a madrugada era um tal de usar martelo e serrote que a encomodava dormir.
Nisso entra a tal que gosta de beber e ouvir som alto e entra no assunto...
- O que ela está fazendo é um gatil em cima da laje, porque já falei com ela que esse cheiro horroroso de xixi de gato está deixando todo mundo com alergia, ela não tomou providência. Falei com o senhorio, ele não tomou providência (claro! casas todas alugadas, ele quer mesmo é o aluguel em dia), agora vou chamar a polícia pra resolver a situação...pode ficar tranqüila.
Entra a mãe do maconheiro:
- Pois é, minha filha não tinha crise de bronquite há dois anos agora por causa dos gatos...
Esperei ela sair e falei, de sangue quente:
- Muito engraçado, será que ela está mesmo em crise por causa de pêlo de gato? Ou será pelo futum de maconha que deve ser dentro da casa dela, com o irmão e a cambada o dia inteiro lá dentro fumando?
- Ai, fala baixo que a mãe deles não sabe. Ela é gente boa!
- Não sabe? Não sabe de C* é rola! A casa dessa senhora deve feder a esse troço...Eu que fico aqui fora já estou na 6ª crise de bronquite este ano por causa dessa M* desse cheiro, misturado com aquele incenso de mel que ele pensa disfarçar a situação e só piora, nem por isso chamei a polícia. Sem contar, que ainda outro dia, o namorado do cabeleireiro estava parado aí horas na porta, de óculos escuros, esperando não sei quem. Pois o filho dela, entrou e saiu umas 2 vezes. Até que ela veio perguntar ao André, se por um acaso, ele sabia quem era. O André, querendo comprovar se ela sabia ou não, disse que não sabia quem era e ainda comentou que estava estranho mesmo...pois ela, entrou e rapidinho, se enfiaram os três no carro e só voltaram dias depois...Quer me enganar que não sabe? Ela se faz é de desentendida.
Agora, é bem mais fácil se meter com os gatos de uma senhora sozinha, que não dá trela a fofoca de vocês, que fazer frente ao traficantezinho de asfalto que vive no meio de "gente boa", né não!?


E ela, que estava se vã gloriando, arrumou logo o que fazer...qualquer coisa é melhor que ouvir a verdade. Ninguém pode falar de ninguém naquele quintal. "Não tô mentindo, falo mesmo".

Contado por Fê às [5:35 PM]

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[Terça-feira, Novembro 16, 2004]

Sem o que dizer? Flashback.


E A Bomba Relógio Explodiu


Fornecedor na linha, entra um dona na loja. Sem desligar, faço sinal a cliente perguntando qual pedido (indelicado, mas fazer o quê? Fê compra, Fê vende...), ela joga R$1,00 no balcão e balbucia: "pão". Levando-se em consideração que o pão é R$0,25 coloco 4 pães no saco. Ela olha insatisfeita e diz: "Não, é um pão só".
Ok! Ela balbuciou "pão", no singular. Ainda com telefone pendurado no ouvido, volto ao cesto, derramo 3 pães e entrego-lhe novamente o saco. Ela ainda insatisfeita me olha e diz: "Não... é um pão com mortadela" Ler lábios vá lá, eu me esforço, mas para adivinhar tentaria os números da MegaSena e não pedido de cliente.
-Porra!...Sr. Arnaldo, me desculpe, mas vou ter que desligar, me liga depois.
Desculpem, mas foi de mais! Tomei aquilo como pessoal. Ninguém pode ser tão bizonho por natureza, só pode ser sacanagem. No final pedi desculpas. Freguês, mesmo os mais retardadados, têm sempre razão. Ainda porque as vacas estão tão magras que já beiram a desnutrição:
-Desculpa, sra. não tinha intensão de ser indelicada, foi um rompante. Obrigada e volte sempre". Meu interior completa: "Mas, pelo amor de Deus, traga sua lerdeza quando não estiver negociando preço ao telefone!!!

Contado por Fê às [5:39 PM]

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[Domingo, Novembro 14, 2004]

"Segura na mão de Deus e vá!"


Não costumo ver graça nenhuma em bêbado, principalmente se esse bêbado estiver dentro da minha loja, me encomodando. Mas, ontem, ao contrário, dei muitas gargalhadas com um bêbado que resolveu entrar pra comprar mortadela. Já entrou chamando a atenção, antes mesmo de exalar o cheiro da cachaça, pois parou, na soleira da porta, mirou pra dentro, deu um impulso e veio...
- Minha sssenhora, essstou derde meio-dia bebando cachaça na rua...
- Posso imaginar (olho no relógio: são 18:00h em ponto).
- A ssssenhora teeem pão francêssss e mortandela?
- Esssa mortandela é da boa?
- É excelente! Quer uma provinha?
- Não, não. Cachaça com comida dá barriga. Isso aí é pra comer amanhã. Amanhã, acordo bonzinho e como (embora embriagado, ainda tem senso de estética, coisas do mundo moderno!).
Pegou, pagou, tentou sair, mirava a saída, acabava arrastando o ombro nas geladeiras ou prateleiras e desistia, com medo de derrubar alguma coisa. Voltou e perguntou: "está tudo certinho?", "Não lhe devo nada?" - perguntinhas clássicas dos bêbados- umas quatro vezes, até que finalmente, conseguiu o impulso de chegar até a porta outra vez.
Lá fora, lembrou que estava trazendo uma cesta básica, que havia deixado no banco do lado de fora:
- ô porra! Se eu chego em casa sssem a comida, minha mulé me come na porrrada...
Coloca o embrulho na costas, não agüenta com o peso e cai, agarrado ao fardo, com as perninhas pro alto, se batendo, como uma barata morrendo com aerosol (essa cena só, já foi o bastante pra morrer de rir)...muito custo levanta, sem largar a cesta, vai cambaleando e dá um encontrão na árvore:
- ô, caráleo...Tá fazendo o que aí, porra?
E toma de fazer força, querendo passar no meio da árvore.
Corro pra fora, me esforçando em conter o riso: "moço, pelamordedeus, isso aqui é uma árvore. Vem pra cá, moço".
- Obrrrigado. Fica com Deus...
E vai ele embora, tombando horas pro lado esquerdo, horas pro direito, mal suportando seu peso nas pernas e ainda com um amarrado de compras sobre os ombros.
Fico com vontade de conduzí-lo até em casa, mas a loja estava sozinha...Deus, olha pelo bêbados, então que Ele o proteja, que eu vou ficar aqui e me acabar de tanto rir, provavelmente por algumas semanas ainda.

Contado por Fê às [10:27 AM]

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[Quinta-feira, Novembro 11, 2004]

No balcão dos outros é refresco


Aniversário de uma amiga da faculdade, praça de alimentação lotada e vamos nós: bolo, guardanapo, faca, velinhas...fósforos...alguém aí tem fósforos? Pergunta certa à pessoa errada: o garçom do Bob's
- Ai, parceiro, tu não me arruma fósforo não?
O cara pára tudo, vai lá dentro, volta exclusivamente com a caixa de fósforo. Musiquinha tocando, voz e violão
- PA-RA-BÉÉÉ-NS PRA VOCÊ...
Interrompe a música.
- Gente! Gente! Falta o refrigerante...Ai, parceiro, tem refri 2 litros?
- Tem não, cara.
- Tem como arrumar não?
Lá vai o pobre do garçom caçar um refrigerante...
- Tu não arruma uns 10 copos descartáveis aí não?
E no meio disso tudo, o cara junta mesa, afasta mesa, anota pedido...gente pra caramba, gente saindo pelo ladrão.
- Hei, hei...tu não tira umas fotos da galera, não?


Ah! Se fosse eu...Mas, não era!!! Não era!!!! Estava do outro lado do balcão...Ai que vontade de morrer de rir! E não me segurem não, porque estou cheia de razão.

Contado por Fê às [10:56 PM]

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[Quarta-feira, Novembro 10, 2004]

Teoria da Padaria


Bobinas de sacos plásticos para pães:
20cm X 30cm - de 1 à 3 pães;
25cmX 35 cm - de 4 à 6 pães;
30cm X 40 cm - de 7 à 10 pães;
35cm X 45 cm - de 11 à 15 pães.


O pãozinho Francês, no entanto, tem a mesma medida sempre, não adianta insistir em colocar pães a mais nos saquinhos de menos, o simples fato da casquinha do pão estar arrochada naqueles plásticos finos, rasgam o saco, se estiverem quentes então, não adianta nem rezar à todos os santos: rasga o saco. É fato.
Por que a explicação? Para que entendam o motivo da irritação de hoje:
Quando você sai de casa para ir a padaria, não sabe quantas pessoas têm em casa? Você não conhece a fome dessas pessoas? Não tem o hábito de fazer isso todo dia? Então, pra que a indecisão na hora de pedir o que quer?
- 6 pãezinhos
Abro o saco de 25cm X 35cm, coloco os pães.
- Não. Não. Oito pães...
Jogo tudo dentro do cesto, abro o outro saco, coloco os pães.
- Está quentinho?
- Sim.
- Então coloca 10.
Jogo tudo dentro do cesto, abro outro saco, coloco os pães.
- Não. Melhor levar OITO mesmo pra não sobrar...
- Tem visita na sua casa hoje?
- Não.
Jogo tudo dentro do cesto, pego o primeiro saquinho e coloco 6 pães.
- Ué, seis pães?
- Sim. Sua esposa comprou pão light ontem, ela não come esse pão. Não tem visitas na sua casa, leve o de costume, porque,
1) eu preciso atender o resto da fila;
2) não adianta depois vir querer trocar os pães porque produto fatiado e pão francês depois que saiu da casa eu não troco mais. Obrigada. Bom dia!

Contado por Fê às [4:37 PM]

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[Terça-feira, Novembro 09, 2004]

Debruçado ao Balcão


Rapazinho de falar pausado, sempre com aquele olhar cansado, vem nos contar que está trabalhando com público, loja sei lá de quê: "sou gerente!" Risinho denunciando um "dá pra acreditar?!"(ele mesmo reconhece), pausa pensativa e reafirma: "gerente!".
André pergunta, então, o que de novo nessa função lhe aconteceu. Ele responde que de balcão nada. O mais surpreendente, ele viveu fora da loja:
"O pessoal me chamou pra tomar uma cerveja, foi uma nada, foram muitas num pé sujo lá perto. Lá pelas tantas, o dono do boteco resolveu que ia fechar e jogou água nos nossos pés. Pra onde iríamos então? Um dos vendedores sujeriu que fôssemos a uma festa na baixada que estava "bombando". Meio de transporte: trem. O último trem pra baixada. Trem lotado, mal dava pra respirar...perguntei onde teria cerveja e me informaram que no último vagão. Se já conhecesse o que era o último vagão, teria viajado de güela seca, mas me dirigi ao desconhecido. Gente! O que era o último vagão? O lugar era "dividido" exatamente ao meio: de um lado gospel, de outro lado tudo o que não presta! A nuvem de maconha que mal dava pra enxergar um metro a frente. Crentes tocando pagode gospel, alto, tentando abafar, o pagode do "mundo" como eles chamam, mais à frente, um pastor pregando mais alto que as cantorias de ambos os lados e em cima disso tudo o rapaz: "Ô Skol, ô água..."
Pensei que já tinha visto tudo, peguei o saquinho de cerveja (eles vendem a cerveja dentro de saquinhos com gelo, já que não dá pra levar isopor) e pronto pra voltar ao meu lugar, emaconhado pela nuvem que pairava no ar, vi a última cena: o pastor, teve uma "revelação", todos os crentes fizeram uma rodinha deixando no meio um rapaz, totalmente entorpecido, sentado no chão, colocaram a mão em sua cabeça e começaram a exorcizá-lo.
Deixa disso, homem, fantasma nenhum pode habitar esse corpo, nem fantasma agüenta, gritava uma voz grossa que até agora não sei de onde veio".


E eu que achei a história do pagode do buraco fundo na Mangueira, surrealista... Nunca se pode dizer nessa vida que já viu de tudo, porque sempre há com que se surpreender. Daqui a pouco, me contam ou presencio mais uma que fará isso aqui parecer conto de criança.
Fica o alerta: esteja sempre preparado para o novo, principalmente se esse novo estiver no último vagão de um trem.


Contado por Fê às [11:25 AM]

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[Segunda-feira, Novembro 08, 2004]

Da Série Flashback


Rapidinhas


Rapaz entra, come um sanduíche inteiro, bebe um refri e o desfecho:
- Moço, quanto é o sanduíche de mortadela?
- R$ 1,00.
- Me faz meio, por favor? É que eu só tenho mais R$0,50. Se um sanduíche inteiro é R$ 1,00, dá pra comprar mais meio.
- Errado. Vou ter o trabalho de dar mais um corte no pão e vou desperdiçar a outra metade, ou seja, meio sanduíche é R$1,50.


**********



O velinho quase sussurando:
-Tem pão francês?
-Francês? (eu)
-Sò tem seis? (velinho)
-Se tem seis? Tem. (eu)
-Só seis?! Tem mais não? (velinho)
-Meu senhor, tem pão francês e bem mais de seis, quantos pães franceses o sr. quer? (eu)
-Só seis mesmo! (velinho)


Duas num só dia? É frio demais pra qualquer cobertor, né não?!

Contado por Fê às [4:55 PM]

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[Sábado, Novembro 06, 2004]

Acorda, André!


Relógio despertou. O barulho me encomodando. Era dia do André pular da cama mais cedo, queria silêncio pra continuar meu abençoado soninho. Cutuquei ele, que balbuciou um distante "já vou". Cumpri minha obrigação, pensei. Desliguei o despertador, voltei a dormir. Ele também.
Sete e quinze ouço no portão um desesperado: "André! André!" Pulei da cama:
-Anda, mõ, corre que é fogo!
Ele, pula da cama, arregala os olhos:
-Fogo, porra nenhuma! São 07:15 da manhã. Perdi a hora!
Abre a janela, e agora não balbucia, grita: "já vôôôu", procura uma roupa, corre pro banheiro...eu já estou vestida a essas horas, coloco o café pra passar, aviso que já fui, abro o portão...quase caio pra trás! A fila ia da porta da mercearia ao meu portão, 4 casas depois.
Dente sem escovar, cabelo por pentear...putz! Era o apocalipse.
Levanto a porta, a galera quer invadir, parece o estouro de uma boiada:
- Pode parar! Uma porrada de aposentado, porra nenhuma pra fazer, sábado, sete da manhã, pressa de quê? Pode todo mundo esperar. O pão ainda está aqui fora, o que é que está fazendo todo mundo aí dentro? Eu vou abrir a loja.
Com aparente calma, levo as caixas de pães pra dentro, seco balcão, ligo balança, limpo o cesto dos pães que ficou por fazer no dia anterior, tiro o que tem que ficar do lado de fora e agora sim, vamos seguir a fila.
Entra a moça que faz os salgadinhos, é imediatamente recrutada a atender as pessoas que querem apenas pão. "Quem tem amigo, não morre pagão."
André chega 15 minutos e 200 pães depois. Cesto vazio, loja vazia.
- Como é que você se virou?
- Com a calma e a doçura que me é peculiar, meu bem.
- Triste é ouvir as gracinhas, né não?
- Gracinha? Pra mim? Eu lá dou tempo pra isso? Eu já chego atacando que é pra neutralizar o inimigo. Antes do bom dia, já fui logo avisando que fila, às sete da manhã de um sábado é totalmente desnecessário. E com isso, quem se atreve?


Bom, o soninho ficou pra domingo. Melhor aproveitar o pão quentinho que vem chegando na outra remessa.

Contado por Fê às [10:58 PM]

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[Sexta-feira, Novembro 05, 2004]

Da Série Flashback


Surfistas


Feriado de sol intenso no RJ. Entra uma rapaziada na loja, acho que nenhum deles com mais de 18 anos, surfistas, prancha na mão, bermudão e chinelo. Um deles em tom de briga: "Pô bicho, tô com fome, tu não tá fo*"
Parece que os outros, duros, não queriam dar o braço a torcer, ou não achavam apropriado gastar o dinheiro naquela hora. Mas, o rapaz pede pães e mortadela, claro, pede pra cortar o pão, o que caracterizaria o valor de um sanduíche, mas certos casos a gente releva...a "cabeçada" que foi contra o cara comer, avança nos pãezinhos. E o que tomou a iniciativa, pagou, mas tratou de recolher com os outros o dinheiro gasto, então vira-se e pergunta:
- Tia (putz! vê se eu tenho idade pra ser tia de marmanjo!), qual o refri maiR barato que tem aí?
- Pra ti não tem nenhum barato, porque tia é a comadre da sua madrinha. (pensaram que ia ficar barato?!) Risos.
Mostrei o mais barato que é distribuido pela cerveja Itaipava, chama-se: ITA-UP.
Eles beberam, mas sobrou e na hora de ir embora, ele volta e pede:
- Ranca esse rótulo, pelamordedeus. Comer pão com mortadela é compreensível, vira "causo" no meio da "rapeize", mas dizer que toma refri "Itaú" é sacanagem..."


Cortei o rótulo, mas pensei: Será que o rótulo muda paladar? Se ele pega uma "mina" e oferece o que ele chamou de "aquilo"... cara, não passa a ser Kuat porque não tem rótulo. Enfim...

Contado por Fê às [5:55 PM]

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[Quinta-feira, Novembro 04, 2004]

Não Se Mete a Colher?


Meu cunhado se separou. Faz algum tempo isso, a princípio o choque na família, os vizinhos indagando...normal, como qualquer separação. Mas, o chocante aconteceu essa semana: sua ex-mulher, resolveu colocar uma placa de "vende-se" na varanda do apartamento. Nem sabia disso, nem cheguei a ver a placa. Estava lá, seguindo minha rotina de 07:00 e me aparece uma senhora: baixinha, cabelos negros. Se algum dia entrou na loja pra comprar algo, se faz tão distante que nem sabia que era moradora local.
-Bom dia! É seu irmão ou seu cunhado que está vendendo o apartamento?
Eu, não sabia de nada, mas deduzi, diante da separação o que poderia estar acontecendo:
-Meu cunhado.
-Escuta, eles se separaram, né?
-É sim.
-Cá entre nós, ela colocou a placa, mas vai dar a parte dele, né? Seria um absurdo que ficasse com tudo.
Momento de silêncio. Cara de espanto. Boca aberta. Gaguejo:
-É. Bom. Sabe o que é, minha senhora? Eu nem sabia que eles estavam vendendo nada. Agora,eles têm uma filha, se ele achar por bem deixar tudo para o bem estar da menina, o que é que temos a ver com isso, não é verdade?
-Mas, minha filha, ele precisa de orientação, não pode dar tudo a ela de mão beijada.
-Olha aqui, minha senhora, eu tenho tanto o que fazer, não tenho tempo a perder com a vida dos outros, não indago a ninguém a respeito de vida pessoal, não tô aqui pra isso. (em tom bem aborrecido).
-Eu vou pegar e ligar pra imobiliária pra saber...
-Saber o quê? A vida pessoal deles? Se há briga? A sra. acha mesmo que os corretores vão lhe passar esse tipo de informação? Aliás, a sra acha que eles sabem?
-No ruim de tudo eles me passam o valor do imóvel...
-ãh?


Ora, vejam só, quando acho que já vi de tudo, ainda consigo me espantar com as pessoas!

Contado por Fê às [12:37 PM]

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[Quarta-feira, Novembro 03, 2004]

Saudades de Severino


Não costumo dizer nomes aqui, por um motivo muito simples: "cada louco com sua mania". Desabafo a forma com que cada loucura me atinge pessoalmente, mas não pretendo com isso, denunciar ninguém.
No entanto, esse não é um caso de loucura, mas de admiração.
Seu Severino nos apareceu um dia, pedindo licença para dormir no banco de concreto, debaixo da marquize. Disse que "morava" no posto de gasolina, mas que foi roubado várias vezes e que precisava de um lugar mais "escondido" para dormir.
Meio ressabiados de tanto pedinte batendo a porta, tivemos receio, mas seria uma maldade nossa, não autorizar aquele senhor a utilizar o que não é nosso: a rua.
Ao contrário de tudo o que já vimos, sr. Severino, dormia e mantinha limpa a frente da loja. Enquanto ele dormiu no banco, não houve um único dia que não tenha lavado e limpado tudo antes de sair. Nunca aceitou uma esmola. Ao contrário, passávamos o dia a ver sua bicicleta pra cima e pra baixo, cheia de papelão, ferro velho, latas...mal o enxegávamos dentro dos entulhos.
Pedia que guardássemos seu dinheiro, pra que não lhe levassem enquanto dormia (R$20, R$70,00, levando-se em consideração que o KG do papelão é R$0,15, imaginem o quanto ele trabalhava...).
Quando perguntamos porque ele não aceitava o que lhe oferecíamos ele disse:
- Só morre de fome numa grande cidade como o RJ um acomodado. Não preciso comer, preciso de um canto pra dormir e isso vocês estão me dando (?)."
O André foi lhe ensinando que nem tudo era ferro velho, que muito poderia ser vendido em feiras ou a outros interessados e ele, sempre atento, ia seguindo as instruções. Logo arrumou um quartinho pra viver e saiu do relento. A única moeda que precisava, era incentivo. Depois desse senhor, minha caridade ficou seletiva. Pedinte é uma coisa, vítima das circuntâncias é outra. Exemplo de força na escola de vida do meu balcão.

Contado por Fê às [4:35 PM]

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[Terça-feira, Novembro 02, 2004]

INTERROMPEMOS OS CONTOS DE BALCÃO...





Cantemos parabéns pro André, meu "mô", que divide comigo toda a rotina, o cansaço e as agruras de viver atrás do balcão.
Que se renovem suas forças pra continuar aturando essa galera!

Contado por Fê às [10:40 AM]

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[Segunda-feira, Novembro 01, 2004]

O Conto da Rosa


Cabeleireiro falido, gay declarado, digo descarado, mais um daqueles clientes problemáticos que gosta de fiado, mas detesta pagar.
Desde o primeiro mês de mercearia (isso faz, 1 ano e 8 meses), ele foi pegando coisinhas e coisinhas e acabou em uma conta de R$58,00, que ele jura de pés juntos que há de pagar no 13º. A princípio, seria o 13º de 2003, depois, desempregado, colocamos de vez no arquivo morto, mas crédito nunca mais.
- Pode me ver quatro pãezinhos?
- Claro! Vejo até 8, desde que me pague adiantado.
- Poxa! Sabe o que é...
- Não sei e nem quero saber.
- Cruzes!
- Fofa! Fiado nem pensar! Pode tremer e babar: fiado, não!
- Meu amor, deixa de ser baixa! Não é fiado, é no crédito! Você é uma empresária, tem que ser chique...
- É. Sou baixa, tenho 1,53, sou empresária dura e detesto bicha cara de pau.

Contado por Fê às [5:34 PM]

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"Na concepção dos senhores, o que é um balcão? Objeto de exposição das casas comerciais?
Pois aqui verão que não. Derramam-se ao balcão: Nero, Platão, Freud... O surrealismo não existe no ofício de um balconista.
Não pensem que terão aqui auto-ajuda, este espaço só oferece ajuda a mim mesma, tudo o que escrevo aqui, serve para não berrar lá fora.
O que encontrarão neste espaço é a diversão que não encontro atrás do balcão."

No ar desde 01/10/2004


freitas_fernanda26@hotmail.com Você também tem estórias de balcão? Manda pra mim!



Rio de Janeiro
Zona Oeste
Falamos aqui de uma mercearia, onde há empenho dos freqüentadores em que se transforme em um botequim.
Duras penas fazê-los entender que aqui não é lugar de "happy hour".
Eu: Fernanda, estudante de jornalismo e balconista.
André: Meu marido, oficial dono da loja, balconista e enjoado dessa vida de comércio.








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