[Domingo, Outubro 31, 2004]

Os Extremos Sempre São Ruins


Há dois tipos de clientes que atrapalham o serviço:
1º) O Apressadinho
Você está servindo alguém ou tentando ouvir o que a pessoa procura e o sujeito interrompe, querendo saber preço das coisas, se o pão é de agora, se a bala isso ou aquilo. Geralmente, crianças são assim. Você está atendedo alguém e como não sabem ler as etiquetas de preços, batem na vitrine do baleiro e fica chamado: "tia, tia..." Isso atordoa de uma tal maneira que você nem termina de atender a primeira pessoa, nem consegue entender o que querem.
Há outro tipinho clássico: o que pega refrigerante, por exemplo, na geladeira, fura fila e diz assim: "o meu é só isso, paga pra mim?"
Daí, você pára achando que o dinheiro está trocado e ele saca uma nota de R$100,00, pede pra você completar o troco de bala, que ele fica uma eternidade escolhendo e quando finalmente você acha que se livrou do cara, ele pede um saquinho. Ou seja, era só o refrigerante que ele queria?
Como vêem, nem só crianças servem como exemplo. O pior dos exemplos mesmo vêm dos adultos.
Estava eu servindo pães a uma senhora e entra a vizinha, apressadinha:
-Me dá dois pães...não. Me dá um só.
Joga a moeda no balcão.
Eu com a pinça de pegar pães na mão.
-Me dá rapidinho que eu tô com pressa, tenho que fazer "isso e aquilo"...
-Só um minutinho, pra eu acabar de servir a moça.
Nem bem concluí a frase, a abusada da mulher pulou pra trás do balcão, tomou a pinça da minha mão e disse: "já estou me servindo, posso?"
-Como assim, posso? Já está aqui, já me tomou a pinça, já furou a fila... pega e sai logo que me atrapalhar mais, só você ficando mais tempo aqui dentro...


Ela se serviu, saiu e só voltou a falar comigo semanas depois. Se achou no direito de ficar aborrecida.


2º) O Lerdo.
A gente acorda cedo, ao meio dia já tivemos que lavar a frente da loja mijada pelos bebuns da madrugada, recebemos mercadorias, atendendemos um número de vendedores maior que nossa demanda, preparamos o banco, varremos, espanamos, repomos e dissolvemos várias filas ao longo da manhã.
Aí, entra aquele cara com o rosto inchado de sono, cabelo em pé. Debruça no balcão e começa na maior marcha lenta:
- Três pães. (bocejo)
Rapidinho: Coloca-se o pão, volta-se pra ele.
- Melhor, põe meia dúzia. (espreguiça)
Joga os pães no cesto, rasga outro saco e volta com os pães.
Cliente pensa. Pensa. Coça o olho.
- 100g de queijo.
Corta o queijo, pesa, calcula, embala.
- Me dá 200g de presunto também. (cotovelo no balcão, segurando o queixo ainda sonolento)
Desfaz o embrulho, corta o presunto, embala e quando você olha, já tem mais dois atrás dele, que te dá o dinheiro, você corre, faz o troco, ele te devolve a moedinha e diz: "me dá o troco de bala".
Coloca a moeda de volta no caixa, dá a bala ao sujeito. Ele faz que vai dar a vez para o outro, mas pergunta: "tem leite?"
-Só integral, o desnatado acabou.
-Acabou, é? Então peraí.
Saca o celular, liga pra mulher. Você se estica pra pegar o pedido do outro, a fila a essas alturas, tem não duas pessoas atrás, mas cinco. O cara grita por trás dele o que quer, ele desliga o celular e diz calmamente:
- Ela disse que pode ser esse mesmo.
Pára o pedido do outro, pega o leite, dá o troco. E a fila, agora, já vai lá na rua.
Você ligado no 220, grita, "vai babaca", dentro de si, mas R$10,00 são R$10,00, fazer o quê?
Vamos dissolver outra fila.


Agora, imagina só, quando o último da fila é um do tipo apressadinho? Imaginaram? Não. É bem pior que isso!

Contado por Fê às [1:55 PM]

Debruce Você Também:


[Sexta-feira, Outubro 29, 2004]

E Rege A Lei Do Puxa-Saco


No atendimento semanal programado o tratamento de "sou-a-coca-cola-e-ninguém-pode-contra-a-marca" é uma constante. Falta negociação, falta simpatia.
Esta semana, além do pedido que o faz bater a meta imposta pela empresa dele, liguei solicitando um pedido extra:
- Posso fazer?
- Claro, D. Fernanda! Aqui quem manda é o cliente! (Pois sim!)
Faço o pedido, bem rápido por sinal, que é pra fugir da hipocrisia, e na hora de desligar..."Olha, a Sra. está rouca, melhoras aí, viu?!"
Tipinho clássico!!! Claro que usou a tática do "se espirrar, saúde!", os clientes chatos que lutam por seus direitos, que tentam negociar (em vão) preços, que choram e esperneiam, esta semana além de positivar a venda de sempre, ainda trouxe um extra qualquer. Agora "vale a pena", mas não convenceu a cortesia.

Contado por Fê às [1:23 PM]

Debruce Você Também:


[Quinta-feira, Outubro 28, 2004]

Flashback


De Perto Ninguém é Normal!


Oito da manhã, entra a mulher na loja:
- O pão é de agora?
- Não. È de sete horas.
- Queria que estivesse quentinho!
- Se quizer esperar um pouquinho, está vindo uma remessa quentinha.
- Ah, tá! É que o pão é pra amanhã, queria que ele estivesse fresquinho.


PQP! Se a P* do pão é pra comer no dia seguinte, qual a necessidade de estar quente ou não naquele momento? Ao acaso o pão guardado 23 horas se faz mais fresco que o pão de 24 horas?

Contado por Fê às [6:21 PM]

Debruce Você Também:


[Quarta-feira, Outubro 27, 2004]

Uma e Outra


Uma sempre foi enrustida, o tipinho clássico que acha namorados se beijando em público desnecessário, mas sexo oral na garagem do prédio, tudo bem pra ela. Mulherzinha ensebada: pisa em porteiro, massacra empregadas domésticas, joga saco de feijão na cara do comerciante (no caso eu) porque não achou a data de validade na embalagem. Detalhe: ela pode ser o que for, mas pendura. Teve e continua tendo continha na mercearia e ainda se acha no direito de nos tratar com o nariz lá em cima.
A outra, acha que fabrico notas de R$1,00. Todo santo dia, vem comprar 3 ou no máximo 4 pães com uma nota de R$ 50,00. Acredito sim, que ela fabrique essas notas em seu caldeirão. Quando tem troco, tem. Quando não tem ela arma barraco. Diz que eu sou obrigada a dar um jeito pra atendê-la. Mesmo que eu diga que ela pode pagar depois, ela não arreda o pé. Òbvio. O que ela quer é que eu troque o dinheiro pra ela, pois facilita bastante a vida dela com comerciantes que possivelmente a enxotariam a vassouradas se ela ousar fazer o que faz comigo.
Agora imaginem essas duas figuras reunidas, assim, numa filinha...Convenção das bruxas, eu diria.
Foi o que aconteceu hoje. Apareceram as duas de uma vez. Quando virei pro balcão e vi aquilo... Ui, que arrepio! Passei elas na frente dos demais, despachei logo antes que me aprontassem alguma. E não é que elas são amigas? Pensam que adiantou? Não. Ficaram dentro da loja batendo papo e rindo alto.
De repente fui eu que desparei a rir sozinha. Fiquei pensando: "vampiros se espanta com alho e crucifixo...mas, e as bruxas? Ninguém nunca me ensinou como faz pra se livrar de uma bruxa. Que dirá duas!"
Elas muito assustadas, perguntaram o que houve. E eu, presumo que com uma cara muito debochada, disse:
- Nada, não! É que acabei de me lembrar de uma piada...
E as duas foram saindo de fininho...Hoje era meu dia de sorte!

Contado por Fê às [11:50 AM]

Debruce Você Também:


[Terça-feira, Outubro 26, 2004]

"As Mesmas Flores Do Mesmo Jardim"


As pessoas se habituam tanto a rotina de suas vidas (principalmente os idosos), que arrear as portas, ainda que por 5 minutos, causa transtorno, diria mesmo pânico nas pessoas.
A porta precisava de manutenção, marcamos com o serralheiro para a parte da tarde, na "entre-safra" da venda de pão. Rapidamente foi tirada a peça, mas na hora de recolocá-la não foi tão fácil e a porta ficou fechada além do previsto.
E lá vem a senhorinha, aquela mesma, de todos os dias. Quando dá de cara com a porta fechada, começa a bater na porta. E mais forte. E mais forte, a cada vez que percebe vozes de dentro. "Abre! Abre! Ai, meu Deus! E agora? Não vou poder entrar? Vou ficar sem meu pão da tarde? Essa não!
E o serralheiro vendo o pânico daquela senhora, gritava de dentro:
- Calma, senhora! É só um minuto.
Mas, acho que o barulho das ferramentas a impediam de ouvir. Foi quando ele olhou por cima da porta e começou a rir.
-Xii! A velinha está sentada no banco de concreto, se abanando...acho que ela vai dar um treco, dona!
E vem a jornaleira justificar a porta baixa e a vizinha do lado também. E quem disse que o abafamento da velhinha passava?
Bem na outra esquina, tem uma padaria, se a tensão da porta fechada era tanta, porque não foi até lá? Simples! A rotina é de vir comprar pão na mercearia, a quebra desse ritual atordoa as pessoas, não as deixam refletir. E ela ficou ali, sendo consolada até que o serralheiro, enfim, suspende a porta. A porta suspensa foi, para ela, como a entrada no paraíso. Pudia-se ouvir sinos e harpas, o coro dos anjos em "Aleluia! Aleluia!".
- Ai, minha filha, me dê 4 pães.
- Senhora, sinto muito, mas o pão da tarde ainda não chegou. Por esse motivo mesmo escolhemos essa hora pra fazer a manutenção da porta.
E o serralheiro:
- Vou precisar abaixar de novo. A senhora não quer esperar lá fora?
- Ah, não! Eu vou ficar aqui dentro mesmo. Prefiro. Pode baixar, meu filho!

Contado por Fê às [10:51 AM]

Debruce Você Também:


Flashback


Deus Olha Pelos Bêbados


Domingo normal de trabalho, os cativos "bebuns" fazem sua farrinha particular na porta da mercearia. Um deles de brincadeira com o outro, tira o chinelo e faz com que vai jogar do outro lado da rua e joga mesmo: o chinelo escapa-lhe da mão e cai dentro do quintal da casa em frente.
Ninguém na casa do vizinho. Exceto seu Pastor Alemão, a essas alturas já de vigília do estranho "objeto voador não identificado".
E vem o cachaceiro (esse não é bebum, é bêbado mesmo, desses álcoolotras de sarjeta que vive pedindo R$0,50 para a cachaça), e claro, como "de bêbado não tem dono":
- E aí, Pará! Tu não foi Fuzileiro? O chinelo do Renato caiu dentro da casa do João, quero ver se tu escala essa muralha!
-Pra já, meu irmão.
Claro que a cabecinha já pensanva em ganhar o da cachaça, o que ele não esperava era o Pastor Alemão do outro lado. Ele sobe e pendurado com as mãos dá de cara com o cachorro, latindo enraivecido. Fica por segundos ali, pendurado como se fosse o Homem Aranha, num mixto de susto e interrogação. Sobe se arranhando na muralha de chapisco. Senta no alto do muro e:
- Filho da P*, chega pra lá que eu vou descer. Se tu me morder, tá f* comigo. Anda logo, po*, não fo* minha paciência, já falei que eu te f* se tu me morder.
Pasmem, o cachorro vai recuando até que se ouve um latido longe. O cachorro continuou a latir, mas no fundo do quintal.
Ele pula, joga o chinelo e volta ovacionado por cima do muro...Se ele foi de fato Fuzileiro ninguém sabe, mas que Deus olha com carinho para bêbados e crianças isso ninguém mais tem dúvida.
Claro que a hébria coragem lhe rendeu bem mais que uma dose. Mas, o mais engraçado da estória aconteceu depois, é que ele mesmo com os braços todo lanhado do chapisco do muro não lembra de nada do que aconteceu, acha que é curtição do
pessoal.

Contado por Fê às [12:33 AM]

Debruce Você Também:


[Domingo, Outubro 24, 2004]

Vaidade Feminina


Mocinha entra na loja toda faceira, coloca a bolsa no balcão, abre o feixo e manda:
-Pode, por favor, tirar as chaves da minha casa que está aqui no cantinho?
Cara de espanto.
-É que acabei de vir da manicure!


Se não fosse vizinha há anos, acharia que as pegadinhas do Faustão estavam de volta!

Contado por Fê às [4:36 PM]

Debruce Você Também:


[Sexta-feira, Outubro 22, 2004]

Flashback


O Gordo Contra-Ataca


E aqui está ele de novo... Hoje não resistiu a estufa de salgadinhos e abocanhou nada menos que 6 salgados e dois refrigerantes de 290ml (aquele da garrafinha de vidro, sabem?). Quatro ovos recheados e 2 croquetes!
Daí, entrou um senhor, reparou os ovos que "sobreviveram" na estufa:
-Fernanda, esses salgados são ovos?
-São sim, seu Luís.
-Separe eles que vou levar, por favor.
E o gordo se esperneando, entre batidas de mão na testa e nas coxas:
-Ah! Não! Isso ainda é ovo? Pensei que fosse coxinha! Mas, o senhor teve muita
sorte...E eu um azar danado! Putz! Era ovo!
Enquanto isso, formou uma fila de 4 ou 5 pessoas. Conforme as pessoas entendiam o motivo da aflição do gordo, iam ficando paralizadas com a cena. Eu, do outro lado, boquiaberta.
O Sr. Luís foi colocando os salgadinhos de lado,escondendo o saquinho, como quem diz: "se eu der mole o gordo me toma". Muito constrangido com a situação, me paga a compra e sai apressado. Fez-se silêncio na loja. Ninguém conseguia pedir nada,
todos estupefatos com o tamanho da gulodice.
O cara come 6 salgados e ainda lamenta não ter comido o 7º e o 8º? Como disse da outra vez, para mim seria bom que ele comesse toda a estufa de uma vez, mas eu me sinto, enojada (o termo é pesado, mas é o que cabe) de ver gente comer pra se
sentir pesada...e ele ainda conclui:
-Coloca 10 pães aí pra mim, não, não, melhor 12 mesmo porque estou com vontade de comer 3.
Caraca!!! Seis salgados, dois refrigerantes e 3 pães? Depois não entende porque ele sofre tanto na mão de médicos.
Só depois que ele saí, o último cliente toma a iniciativa de falar alguma coisa.
Quer dizer, de pedir qualquer coisa, porque ninguém conseguiu comentar a cena, acho mesmo que não tem comentário.

Contado por Fê às [5:45 PM]

Debruce Você Também:


[Quinta-feira, Outubro 21, 2004]

Loucura Pega


Esses dias fiquei olhando os ovos em cima do balcão: tão lisinhos e tão branquinhos... Não pude resistir, peguei a retroprojetor e desenhei: Wilson. Coloquei bem no meio da cartela de ovos. Dentre todos os irmãos branquinhos, estava lá "Wilson".
Alguém se lembra do filme O Naúfrago? A bola que lhe fazia compania, tinha o mesmo nome e a conotação naquele momento era mesma: quebra de tédio, mudança de rotina.
Chega minha irmã e vai logo apontando:
- Olha só o que essas crianças da escola fizeram. Desenharam carinha no ovo!
- Porra nenhuma! Esse aí é meu Wilson. Fui eu que desenhei.
Ela achou estranho, mas relevou, ela me viu nascer, deve conhecer bem minhas estranhesas, nem retrucou.
Hoje de manhã abro a loja e...cadê Wilson?! Não está na cartela exposta, não está guardado em outra cartela. Me veio logo a cabeça a cena de Wilson caindo ao mar e o naúfrago que tenta até o esgotamento resgatá-lo...mas, o meu Wilson teve
um fim pior. Foi vendido. Será executado por uma dona de casa faminta.
- André, que você fez com meu Wilson?
- Com o quê?
- Wilson. Meu cabeça de ovo.Você vendeu ele, seu mercenário?!
- Ué, Wilson tinha tantos irmãos, achei que não se importaria que fosse embora.
- O meu cabeça de ovo tinha sido escolhido entre os outros...não era qualquer um dos irmãos. Wilson era único.
- Ué, desculpa!
Risos. Muitos risos. Choro de risos. Quem é mais doido? O que desenha um ovo e se apega a ele? Ou o que entende a doideira e se desculpa por nada?
Acho que esse "exílio comercial" não está fazendo bem a nossas cabeças...

Contado por Fê às [6:11 PM]

Debruce Você Também:


[Quarta-feira, Outubro 20, 2004]

Da Série Flashback


Apresentando: O Gordo


Temos um cliente gordo, gordo mesmo, de uma obesidade quase mórbida, já ficou internado várias vezes por complicações da gordura em seu corpo, anda como quem estivesse remando... O sujeito, galera, come como o quê. Todos os dias o básico
café da manhã da família são 12 pães, 2 litros de leite e ele, mesmo sabendo de toda a sorte de coisas que irão lhe empanturrar num mero desjejum, fica salivando frente a estufa de salgadinhos (não compra por proibição do médico, antes ele pedia quantos estivessem expostos)e sempre pede uma prova do queijo parmesão que fica em exposição em cima do balcão.
Ontem, não foi diferente. Diferente foi a resposta do André:
-Senhor, não me encomodo em dar provinha de nada a ninguém, mas a provinha a gente dá ao freguês para que ele possa degustar e comprar o produto. Não é o que acontece com o sr. De provinha em provinha, já deve ter ido meio queijo e o sr. nunca comprou nenhuma lasca dele.
E o homem, com as mãos como aqueles gestos italianos de "mama mia":
-Eu sei, André. È que eu sempre me esqueço do gostinho!

Contado por Fê às [6:04 PM]

Debruce Você Também:


[Terça-feira, Outubro 19, 2004]



Contado por Fê às [7:13 PM]

Debruce Você Também:


Se Gritar: Pega Ladrão...


Se há uma coisa que não admito é a inconveniência. Quer um exemplo que me irrita? Uma porta estar fechada e a pessoa ficar berrando do outro lado ou forçando a maçaneta. Se está fechada é porque uma pessoa não quer, não pode atender...Todo mundo tem direito ao seu espaço. Esse foi o motivo do meu aborrecimento de manhã.
Todos os dias, sem falhar, abro às 06:00 da manhã. O padeiro sabe disso, o vizinho sabe disso. Pois o padeiro tem passado mais cedo e largado a caixa de pães na porta e o vizinho tem mexido nela. Depois que abro ele vem e paga, de outra forma, como saberia?! Mas, eu não gosto dessa atitude. Primeiro porque ele é um desocupado, não está com pressa de coisa alguma, segundo porque abro sempre no horário, não custa ele esperar abrir, terceiro porque os pães me pertencem e quarto porque se alguém o vê mexendo nos pães ou desperta a malícia de me roubar, porque não vem escrito na testa dele que ele volta e paga os pães ou então vão ficar me "torrando" com a questão da higiene.
Trabalhamos com comida, tentamos a medida do possível ter a maior higiene e zelo no atendimento, pra ficar um desocupado revirando a minha caixa com a mão, catando os pães que melhor o provem? Me irritei:
- Olha só, você pegou o pão, por quê? Eu estava atrasada?
- Não.
- Você estava atrasado?
- Não. Tava com fome.
- Ah, sim! Você está mesmo com uma aparência frágil, quase de inanição. Se não esperasse poderia ter mesmo até uma crise hipoglicêmica! Faz um favor?! Não faz mais isso não. As pessoas não sabem que você volta e paga o pão. Não pega bem revirar a caixa com as mãos. Eu não estou atrasada, você também, não.
- O padeiro largou aí. Da próxima eu pego e não pago, falô?!
- Ok. Mas, não deixa eu pegar não, falô? Eu não lhe dei essa liberdade e se eu pegar, você vai pro xilindró por causa de três pães. Sabe que polícia adora ladrão de galinha, né?!


Ligo pra padaria:
- Bom dia! Liguei só pra saber que horas eu abro a minha mercearia?
- Seis horas.
- Todo dia?
- Quê?!
- Perguntei se abro às 06:00 todos os dia, desde 1/03/2003?
- Exceto domingos e feriados, sim.
- Então porque o pão está sendo largado a minha porta mais cedo, se o combinado é que a entrega seja feita às 06:00? Por um acaso eu tenho cara de que levanta às 05:00 da manhã para ser roubada? Você acha que eu mereço ouvir no lugar de bom dia, reclamção de que o pão está frio e murcho?
- Quê isso, princesa?!
- Então faça o favor de me entregar os pães como combinado, porque eu estou sendo roubada nesse espaço de tempo. Se pra vocês não fazia diferença, agora fará. Se o pão for largado a minha porta eu vou contá-los um a um, pode ter a fila que for e, percebendo o erro, não vou pagar a diferença, nem que o Papa em pessoa me pessa. Vocês expliquem ao Dono da Padaria o motivo do prejuízo, ok? Fui clara?!


Contado por Fê às [6:13 PM]

Debruce Você Também:


[Segunda-feira, Outubro 18, 2004]

Da Série Flashback


Rapidinhas:


- Bom dia, moça. Dois pãezinhos, por favor. Pretinhos sem ser torrados, por gentileza.
Hein??? Sem comentários


"Moço, tem pão francês com massa Italiana?"
Hein?!
Essa até o sujeito que lanchava em pé no balcão não se controlou e quase se engasgou de rir.


"Por favor, R$1,00 de pão e R$ 1,00 de mortadela."
Pagamento: uma nota de R$ 2,00.
Recebo e...e a criatura continua de pé me olhando.
"Pois não, senhora. Deseja mais alguma coisa?"
"Ué, não tem troco?!"
Hein?!
Até ontem, R$ 1,00 + R$ 1,00 = R$ 2,00, o máximo que poderia acontecer é ter fatiado mortadela a mais e ela estar me devendo qualquer coisa, mas o contrário, francamente, não sei como pode ser.

Contado por Fê às [6:55 PM]

Debruce Você Também:


[Domingo, Outubro 17, 2004]

Inadimplência Vêm de Berço


A primeira parte da estória começa com uma senhora, daquelas clientes as quais vendíamos fiado na loja. Todos foram pagando suas continhas e foram sendo avisados que não teriam mais crédito na casa, pelo menos não desse modo informal (o caderninho).
Acontece que essa senhora, ainda não havia pago sua conta (R$50,00) e o filho dela foi informado que assim que paga a conta, não abriríamos outra. A tática de avisar apenas depois do pagamento era justamente porque quando uma pessoa paga uma conta alta, que está acima de seus poderes de compra, ela ficará sem dinheiro e na esperança que tenha o crédito de novo para cobrir o furo. Quando se sabe que vai ficar sem o dinheiro e sem o crédito então, não se paga a conta porque assim, fica-se com o dinheiro e pode-se comprar em outro lugar. O comerciante que deu o crédito, fica a "ver navios", por assim dizer. Essa é regra sem excessão.
Acontece que o André avisou ao filho dessa senhora que estararíamos encerrando todas as contas e o que acontece? Acontece que ela não paga a conta de uma maneira muito criativa: dizendo que pagou sim e nós que não riscamos do caderno.
O André chamou o filho dela, perguntou se a mãe lhe havia entregue o dinheiro e ele precisou usar, para repor no pagamento dele... iríamos esperar na boa, sem outros comentários, acontece nas melhores famílias...o rapaz disse que não, que a mãe não lhe havia dado dinheiro algum, o que deduz-se que foi mesmo um calote bem criativo.
Num negócio como o nosso, a cobrança é mesmo a confiança, não há documento nenhum assinado, promissórias, nada. È nossa palavra contra a dela. E lá vamos nós anotar mais essa no arquivo morto.
A filha por sua vez, já pegava uns quitutes na conta do pai. Os pais são separados e quando o pai vem pagar a pensão dá uma mesadasinha a menina. Na verdade, o pai não tinha conta nenhuma, essa conta era só de doces da menina, ela pediu para
separar da conta da mãe porque ela que pagaria essas besteiras com a mesada. Acontece, que quando a conta chegou a R$10,00 cortei o crédito. Achei que estava ultrapassando o limite. E acertei, porque ela não pagou e começou a fugir de nós.
Um dia ela passou e viu que era minha irmã que estava e não um de nós e foi tratando de mandar anotar na conta da mãe. Minha irmã que não sabia de nada anotou. Mas esse sorvete a mãe dela pagou, conto como:
Hoje de manhã, o rapaz teve lá comprando um refrigerante e eu cobrei a conta da irmã dele, contei que ela usou de má fé com minha irmã...Daqui a pouco vem ele com a menina. Ela de rosto inchado, chorando, dizendo que não tinha feito.
-Olha aqui, se você já é grandinha pra pedir fiado e dar calote, grandinha também tem que ser pra assumir sua patifaria. Minha irmã não sabe de que buraco você veio nem muito menos de quem tu é filha. Como é que ela poderia anotar alguma coisa se não fosse por pedido seu? Se você tivesse dito pai era pai, mãe é bem diferente. De mais a mais eu já dei recado a todo mundo que aqui não tem mais fiado nem de pai, nem de mãe, nem de Papa. Como é que você manda alguém anotar sabendo que não tem crédito?
Outra coisa, quem é que vai pagar o resto?
-Isso aí eu falo com meu pai, disse o irmão.
Ela não respondeu mais nada. Por quê? A resposta é simples: Ser humano nasce aprendendo a pensar como é que há de se dar bem em cima do outro e se soma-se a isso o fato de ser "filho de peixe"...

Contado por Fê às [6:06 PM]

Debruce Você Também:


[Sexta-feira, Outubro 15, 2004]

Da Série Flashback


Debruçado no Balcão


Nem só de estórias vivas os "psicólogos-comerciantes" vivem, mas também de lembranças.
Flávio Oliveira, sujeito "malandro", sambista veterano da velha guarda do Salgueiro, toma sua cervejinha em nossa humilde mercearia que eles sismam em fazer de bar; muita chuva e nada pra fazer, a não ser abrir seu baú de recordações. Com olhar distante, ele começa reflexivo:
-Sabe de uma coisa? A Mangueira é o lugar mais surrealista que já conheci. Uma vez fui convidado pra conhecer lá a região, TRÊS ho-ras da madrugada, uma birosca no buraco quente. O banheiro fechado a chaves, o dono do lugar protegia mais as chaves que a vida. Quando pedido as chaves, ele olhava de cima a baixo e depois de uma profunda análise, se estivesse certo que você estava ali apenas pra beber, ele então abria a porta, do contrário, ele com uma voz muito grossa, dizia: "Se quizer cheirá, meurmão, cheira aí meRmo na mesa que eu não quero encrenca com os homi!"
O pior é que os "homens" estavam lá mesmo. Subiam camuflados e rastejando, armados até os dentes, enquanto o samba na birosca comia solto. E não bastasse isso tudo, as crianças brincavam na rua como se ainda fosse dia: pique-pega, pique-esconde, patinete...pulavam por cima dos homens rastejantes como se fossem parte da brincadeira. E agora me digam se existe cena mais pitoresca? Três mundos, três realidades (a polícia, as crianças, a malandragem) num quadro só. Claro, depois disso, como sambista voltei ao lugar muitas outras vezes, mas isso nunca mais esqueci. Depois disso, olho tudo com naturalidade porque o surreal, já passou.


E não é que é?! Tão perto de nós e ao mesmo tempo uma imagem de guerra tão distante. Homens camuflados que sobem rastejantes? Não posso nem imaginar.


Abrindo um parêntese:O balcão hoje recebe o mundo non sense em festa. Por quê? Ora, é aniversário dela, nossa queridíssima e vitaminada blogstar. Cau, suas "marionetes" te amam!



Contado por Fê às [9:50 PM]

Debruce Você Também:


[Quinta-feira, Outubro 14, 2004]

E a Molecada Gosta


Essa é a relação do André com a molecada dos prédios que cercam a mercearia:
-Tem pão?
(Suspiro de tédio)
-Tem tantos que eu tô aqui vendendo.


-Tem chocolate?
E ele com a voz grossa, responde:
-Tem. Por quê? Vai bater?


-Fala, Dé!
-Falar o quê? Você que tem que falar, eu aqui só sirvo.


E se a estamos conversando qualquer coisa e entra um deles, ele vira de costas para o balcão, só pra que lhe chamem e ele possa responder:
-Peraí, só um minutinho. Não tá vendo que eu tô conversando?!


Se entra um desses rapazes de cabelo por cortar ou em estilo black e pede alguma coisa, ele diz:
-O quê? Escova pra cabelo? Ah! Isso eu não vendo, não.


Acho que é a forma que ele tem de extravasar o estresse.

Contado por Fê às [6:05 PM]

Debruce Você Também:


[Quarta-feira, Outubro 13, 2004]

Cercada de "Cachaça" Por Todos Os Lados


Parece inacreditável, mas o fato inusitado de balcão que trago hoje, tem a ver novamente com um bêbado.
Infelizmente, esse não é como aquele que já acorda tremendo e vive sua vida dentro do possível, ou como aquela do sabão, que estava num caso isolado de bebedeira.
Esse não. Esse vive sob um mix de cocaína + cachaça + o que vier eu "traço": Ouve vozes, conversa com o nada sempre que está em "crise". Antigamente, eram conversas disfarçadas, ele corria para casa com vergonha de falar sozinho. Hoje, ele resolveu o problema: diz que lhe implantaram um chip de celular na orelha.
- Oi, André. Tem isqueiro? Peraí, peraí. Alô. Ah! Sei. Fala. Como é?! Olha, a ligação está baixa, te ligo de casa... Hein, André, tem isqueiro?!
-Cê não tá muito bem não, né cara?!
-Peraí. Ah! O quê? Poxa, não disse que te ligava de casa, que a ligação está ruim daqui. Ah? É. É o dono da mercearia. È, ele acha que não estou bem. Ele ainda não sabe do chip que você me implantou. O quê? Dar um recado a ele?!Caiu. Quanto te
devo?
-Ele me mandou recado?
-Ele disse qualquer coisa, mas a ligação está longe, caiu.
E conta do implante do chip. Pega o troco e...
-Alô?! Rapaz, dá licença, vou pra casa porque ele quer me falar alguma coisa e daqui de dentro não pega.


Isso! Vai te embora e leva teu mal fluído contigo. Graças à Deus que essa conecção não pega aqui dentro!!!
Estar franquiado a presença pública requer: preparo emocional, psicológico, físico e espiritual. Se você está querendo embarcar nesta...conselho: Prepare-se e boa sorte!

Contado por Fê às [1:13 PM]

Debruce Você Também:


[Terça-feira, Outubro 12, 2004]

De Bêbado...


Esse é mais um daqueles que já acorda de manhã se tremendo por uma cachaça.
-Olha só, eu ganhei esse relógio, gostei a bessa porque minha casa não tem luz e ele "alumeia" direitinho a noite. Tenho outro lá, mas queria usar esse por causa disso. Tu não acerta esse relógio pra mim não?! Já tentei de tudo que é jeito e não consegui...Tua mão é mais firme, pode ser que consiga.
-Ué, 19:06, tá certa a hora.
-Não, é que eu queria que mostrasse a hora comum, porque esse negócio de 13,14,19 me confunde a cabeça, tenho que ficar contando nos dedos...
-Como é?! Quer dizer que a cachaça já chegou a esse ponto é? Tu não raciocína mais que o dia tem 24 horas etc etc?
-É. Não sei ver hora assim, não. Nem em relógio romano. Pra mim eu conto nos dedos, mas olhar de madrugada e sonolento ter que contar é f@#$...Também e se alguém me pergunta na rua e não entende o que é 19:00? Vou passar vergonha!
Aí, o André se mete:
-Ah! Se alguém te perguntar a hora na rua tu diz que ainda é muito cedo para fu$#@* a sua paciência (o bebum adora a palavra fu*** e seus derivados)...Pronto! Resolvi seu problema!

Contado por Fê às [3:48 PM]

Debruce Você Também:


[Segunda-feira, Outubro 11, 2004]

Iniciando a Série Flashback


Não Tava Pra Ninguém


Todos os dias vem o rapaz comer salgadinhos. Todos os dias, mede a temperatura da estufa com a palma da mão e pergunta se o salgado é de hoje.
Um dia, não aguentei. Abri um sorrisão e disse:
-Não, o salgado não é de hoje. Sabe o que é?! Todo dia eu acordo com raiva do mundo e venho para cá, ás 06:00 da manhã, vender coisas podres pros outros. Adoro encrenca com a Vigilância Sanitária!
O rapaz sem graça:
-Desculpa! È que uma vez comi uma coxinha num botequim que me fez mal e...
-...E por que você não mostrou ao dono do botequim a sua insatisfação? Tem que vir todo dia ficar isatisfeito com o meu trabalho? Pelo tempo que você me pergunta se é fresco, já deveria ter dado pra sacar que não venho pra cá brincar ou lesar as pessoas. Tudo aqui é fresco, higiênico, certo, exaustivo...e, então?! O mesmo de sempre?!


Sai um, entra outra:
- Bom dia! O pão é de agora?!
Arghhh...
Pensamento: Não senhora, eu abro a loja às 06:00 da manhã porque adoro fazer a pegadinha do pão dormido.
Resposta: (Sorriso largo) È sim. São quantos?

Contado por Fê às [7:16 PM]

Debruce Você Também:


[Domingo, Outubro 10, 2004]

E Eu Nem Vendo Cachaça


Entra uma mulher na loja, negra, franzina, com um cheiro de cachaça que impregnou todo o ambiente:
-Moça, posso levar um sabão em barra para pagar depois?
-De jeito nenhum.
-È que eu preciso lavar roupa e não tenho sabão...
-È, minha senhora! Cada um com seus problemas (esse é meu mais novo bordão).
E insiste. E insisite.
-Olha só, minha senhora, se a sra. não tivesse enchido a cara de cachaça, talvez agora não lhe faltasse o sabão. Agora, eu não vou pagar sabão para ninguém. Amanhã a sra. esquece a bebedeira e esquece que eu lhe vendi o sabão.
-Mas, esse povo é engraçado! Bebi meRmo e bebi com meu dinheiro. Tu não tem nada o que ver com o que faço do meu dinheiro...
-Eu também acho esse povo engraçado. Faz o que quer do seu dinheiro e depois vem me pedir sabão...Tenta quarar roupa nessa água que você está aí.


Diga se alguém dorme com um barulho desses?!

Contado por Fê às [12:31 PM]

Debruce Você Também:


[Sábado, Outubro 09, 2004]

A Rotina


Todo cliente dá bom-dia, mas nem todos esperam o retorno. Ou seja, cumprimentam por cumprimentarem, como se estivessem falando diretamente ao balcão, claro que o objeto inanimado não os responderiam e por isso, eles vão logo atropelando...
O que desejam de fato não é que se tenha um bom dia, mas o pão, os frios cortados bem fininhos:
-Bom dia!
Você abre a boca para responder e...
-Seis pãezinhos, 200 de queijo e presunto. Bem fininhos, tá?!
Você nem sequer pesou e...
-Quanto é?!


E o senhor dos pães moreninhos:
- Bom dia! Por favor, quatro pães.
Viro para pegar os pães na cesta e como num ritual...
- Por obséquio, os moreninhos.
Obséquio? Sim, obséquio. Sempre soube da existência da palavra, mas no uso cotidiano só com esse senhor.


O moreno dos oito pães:
-Bom dia. Oito pães. Dos mais morenos.
Viro, pego o dinheiro, ele já está virado para a porta, pega o troco ou não e manda:
-Valeu! Brigado!
Não abro a boca para dizer palavra.


E a fila dos aposentados?
Todo dia é a mesma coisa. Os velinhos sentados no banquinho de concreto do lado de fora esperando a hora de abrir. Um deles me ajuda a suspender a porta enquanto os outros invadem a loja...Toda pressa do mundo para sairem dali e irem começar a formar a fila na porta dos bancos: "Quatro branquinhos", "três branquinhos e um bem pretinho", "seis, por favor". Sempre na mesma ordem.


Acabando essa fila dos aposentados, vem o velinho do cooper...Sempre soado e xiando feito panela de pressão.
-xiii...ufff...ahh...Seis, por favor.
Atira as moedinhas em cima do balcão e...
-Tchau. Bom dia!


Lembram a musiquinha da Praça: "Na mesma praça, no mesmo banco, as mesmas flores do mesmo jardim...tudo é igual..."
Me sinto vivendo essa estória. Acredito que venha daí todo o cansaço. Todo dia a mesma "praça", o mesmo "jardim", as mesmas pessoas vivendo a sua rotina...Não sei para eles, mas para o André e eu a rotina cansa, pesa, chateia.

Contado por Fê às [10:51 AM]

Debruce Você Também:


[Sexta-feira, Outubro 08, 2004]

Explicar a Piada é Pior


Marca da carne seca: Jerked Beef.
E entra o zelador do prédio ao lado, nordestino com mais de 15 anos de praias cariocas:
- Xii, legal! Tem carne seca! Como é?! Bife de jegue (paródia ao Jerked)?
Risos.
- Vou falar que isso é bife de jegue lá em casa, a mulher (esposa dele), vai morrer de nojo. Vai querer nem comer.
Bom, ninguém acreditou que ela de fato fosse cair na conversa dele, que não fosse entender a paródia do Jerked com jegue, até porque na embalagem tem, bem claro, que é carne salgada. No mínimo se espera que seja lido a embalagem antes da reclamação. No entanto, não foi o que aconteceu.
No dia seguinte, entra a mulher, pega a carne no balcão e manda:
- Isso é carne de jegue, é?! Que nojo! O meu marido falou, eu não acreditei. Não consegui mais comer a carne. Estava jantando, larguei a comida pra lá. Que nojo! Vender carne de jegue.
- Não, senhora. A brincadeira foi com o nome da marca da carne: Jerked Beef X bife de jegue, entendeu? Como pode ver na embalagem é carne salgada, não tem nada a ver com jegue. Quem venderia carne de jegue?
- Não interessa! Não quero saber! Não como mais e pronto, sei lá se o nome da marca tem mesmo alguma relação...
Infelizmente, assim como não pude descrever as palavras que o André me disse com o olhar, sendo expulso de seu banheiro, também o nariz torcido dessa senhora, um mixto de nojo e acredito descrendo, não posso descrever.
Não, isso não é ficção. Ainda temos essas figuras transitando pelo século XXI, bem no meio da cidade grande. Pessoas inocentes, que acreditam em tudo que lhes dizem. Como sobrevivem nesse "mundo cão"? Não sei. Talvez com a misericórdia Divina. Talvez sejam as flores desse planeta. E os espinhos do balcão.

Contado por Fê às [9:52 AM]

Debruce Você Também:


[Quinta-feira, Outubro 07, 2004]

Como Explicar?!


Tão curioso o acontecimento de ontem a noite que não sei nem como contar. Vou tentar:
Estava pronta para ir a faculdade, entrei na mercearia para pegar as chaves do carro...o André no banheiro. Entra um cara se expremendo. Sim, literalmente se expremendo. Um mixto de segurar os "documentos" e cruzar as pernas, se retorcendo
de pé. Ele entrou correndo, mas de repente ficou parado a minha frente, mordendo os lábios, gemendo...Vi de cara que era banheiro que o cara queria, mas tinha medo que fosse sólido e que ele fosse largar ali mesmo, no meio da loja.
O rapaz também nada dizia, apenas se expremia.
Comecei a rir, o que era aquilo afinal?
O cara decidiu. No mesmo ímpeto que o fez entrar correndo na loja, atravessou o balcão, invadiu o banheiro, o André lá dentro, quase que o cara faz em cima dele mesmo.
André saí, melhor dizendo, é expulso do seu próprio banheiro por um estranho, me olha com aquele ar de cansado dessa vida e caminha pra fora, sem dizer palavra. Quer dizer, não disse palavra que possa ser relatada aqui, porque a cara dele
me completou a estória. Quase morri de tanto rir.
E saí o cara:
- Desculpa, aê. Foi mal, hein.


Contado por Fê às [9:41 AM]

Debruce Você Também:


[Quarta-feira, Outubro 06, 2004]

Indigência


Fico cada dia mais indignada com o índice de pedintes, indigentes e afins que passo o dia "atendendo" na mercearia.
Ainda de madrugada, assim que suspendo a porta, aparece o mendigo cativo que pede café todo santo dia, várias vezes ao dia, bom, pedia, agora ele anda meio enjoado de café-preto-pão-com-manteiga e resolveu que seu dejejum será salgadinho com
Coca-Cola e todo santo dia é um suplício de explicar porque não dá (Tem isso também, as pessoas se acomodam na condição de pedinte. Você dá uma vez e num pulo vira obrigação, as vezes dói o coração mas tem que dizer: não!).
Depois disso, são vários: pedindo R$1,00 ("-Um Realzinho só, Dona", como se fosse realmente só esse "Realzinho". For contabilizar no final do dia chega bem aí uns R$15, R$20,00), pão, qualquer contribuição... Também tem as instituições de
auxílio ao dependente químico vendendo imãs de geladeira, tem os ambulantes com abajour de fibra optica, canetas, calculadoras, vassouras,adesivos, despertadores; vendedores de tangerina, melancia, abacaxi (que fora de época é intragável de azedo). Os escoteiros. Até o padre em pessoa agora sai as ruas para pedir. Tem ainda as senhoras aposentadas que vendem lingerie, blusas de malha, Avon, Hermes, De Millus, Pijama, Natura (essa é a mais insistente)... Gente! Isso aqui é uma mercearia, sou eu que vendo coisas aqui! O povo esquece que ainda tenho que contribuir gordamente aos cofres do governo.
E, aliás, é aqui que está minha irritação, são tantos impostos, tantos...precisa essa politicada roubar tudo? Não dá pra fazer nada por esse povo? "Tudo" tem que vir parar minha porta?
Gostaria de ajudar todo mundo, mas não dá pra fazer tanta filantropia, se não, sou eu que vou a falência e acabo também de mãos estendidas por aí. Estou fazendo a minha parte, mas o incêndio da floresta eu ainda espero que venha de Brasília.

Contado por Fê às [10:54 AM]

Debruce Você Também:


[Terça-feira, Outubro 05, 2004]

Mais Uma das Antigas (15/06)


Lá vamos com mais uma releitura dos casos da série balcão.
Final de expediente, fechando a loja, chega um vizinho, cara de quem vai se dar bem, cheio de ginga:
Ele: - Quer comprar uma câmera digital? R$ 300,00, vai?
André: - Quantos pixels?
Ele: - Não sei, cara.
André: - Quanto de memória?
Ele: - Sei lá. Como vou saber?!
André: -Tem os fios?
Ele: -Não. Mas, pô... é só comprar.
André: - Essa merda é roubada, né não?!
Ele: - É. Paguei 50 paus. Tô querendo ganhar R$250,00 nela, vai?!
André: - Pô cara,tu anda roubando? E, além de ladrão é..."extorquista".
Ele: - Sou ladrão, não cara. Sou interceptador.


E ele ainda confessa! Daqui a pouco, essa câmera que ele comprou de roubo, é roubada e assim vai... a gente sempre vítima desse pessoal que fomenta o lado negro da força.

Contado por Fê às [4:37 PM]

Debruce Você Também:


[Domingo, Outubro 03, 2004]

Papo Eleitoral


Entram dois rapazes conversando:
- Tu vai votar, cara?
- Eu não. Vou justificar.
- Pô. É meRmo. Mas, tu vai justificar o quê?
- Sei lá, pô. Tem Lei Seca essas eleições?!
- Não. Quer dizer, não tem Lei Seca, mas ninguém pode votar bêbado.
- Então pronto, já justifiquei meu voto. Vou dizer que bebi de mais e não deu pra votar.


Lembram da piadinha: "O país é lindo, livre de terremotos e furacões, mas você vai ver o povinho que vou colocar aí dentro"? Pois é, esse é o retrato do povinho que temos aqui dentro. E esse papo de balcão ninguém pode avaliar o quanto me entristeceu!
Gente, patriotismo não é válido só em Copa do Mundo, não. Hoje é o dia de exercer sua cidadania, de ter vontade de ser brasileiro, de conseguir um país melhor em cada região. Reclamar só não adianta. Não jogue fora a oportunidade

Contado por Fê às [12:02 PM]

Debruce Você Também:


[Sexta-feira, Outubro 01, 2004]

Esse é o André


Presencio o seguinte diálogo:
- Moço,tem pinga?
- O quê?!
- Pinga, o sr. tem?
- Não, meu amigo, já concertei a carrapeta!

Contado por Fê às [10:15 AM]

Debruce Você Também:




"Na concepção dos senhores, o que é um balcão? Objeto de exposição das casas comerciais?
Pois aqui verão que não. Derramam-se ao balcão: Nero, Platão, Freud... O surrealismo não existe no ofício de um balconista.
Não pensem que terão aqui auto-ajuda, este espaço só oferece ajuda a mim mesma, tudo o que escrevo aqui, serve para não berrar lá fora.
O que encontrarão neste espaço é a diversão que não encontro atrás do balcão."

No ar desde 01/10/2004


freitas_fernanda26@hotmail.com Você também tem estórias de balcão? Manda pra mim!



Rio de Janeiro
Zona Oeste
Falamos aqui de uma mercearia, onde há empenho dos freqüentadores em que se transforme em um botequim.
Duras penas fazê-los entender que aqui não é lugar de "happy hour".
Eu: Fernanda, estudante de jornalismo e balconista.
André: Meu marido, oficial dono da loja, balconista e enjoado dessa vida de comércio.








on-line










Tudo Começou em VIDA S.A



BABADOS DA RAKA

DEBBIE

DANIELICIUS

DEPOIS EU PENSO

DINHA E SÉRGIO

DONA

DR. BROWN

ESTRELISMOS

GEROLINO INCORPORATION

LOBA: CORPUS ET ANIMA

MADRUGADA NA SALA

MULÉ É BICHO BURRO

MUNDO DA MYLLA

NO FUNDO DA MAH

NO MEU CANTO

SHOW DA VIDA

QUINTINICES

TATY MONTORSI


[Arquivos]








..:: Link-me ::..

?